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Editorial

Dever que grita

Dever que grita

Até às 17h32 desta segunda-feira, 17 de fevereiro, o Brasil tinha arrecadado só este ano, R$ 589.026.643.158,56 de impostos e este número não parava de subir. Relapso em suas cobranças, o povo brasileiro apenas paga, paga e paga, e não consegue exigir que este dinheiro retorne em formas de melhorias, pois acredita no bom e velho discurso que o país “não tem dinheiro”, que os recursos são escassos. Caso fosse um pouco mais interessado, o brasileiro comprovaria que isso tudo não passa de “conto da carochinha”, pois o que não falta por aqui é dinheiro. O que deixa a desejar mesmo é trabalho e gente competente para fazer com que tanto recurso volte para a população. E, isso não é difícil de comprovar. Além da prestação de serviço precária na Saúde, Educação, Segurança Pública, Infraestrutura, Assistência Social, e diversos outros setores, vistos a olho nu, os dados da 13ª Edição do Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade (IRBES), realizado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) apontou que o Brasil segue pela 13ª vez com o menor retorno de impostos em prol do bem-estar da população entre os 30 países de maior carga tributária no mundo. O levantamento mostrou que o Brasil registrou um índice de 142,35, ficando atrás de outros países da América do Sul, como Uruguai e Argentina, que ocupam a nona e a 22ª posição, respectivamente.

A avaliação dos especialistas não foge muito do que já se sabe, e do que é esperado. É fundamental que todos esses países se empenhem em políticas públicas que promovam o desenvolvimento humano e melhorem as condições de vida de seus habitantes. Porém, o desafio está em encontrar maneiras eficazes de direcionar os recursos arrecadados para áreas críticas que impactem a sociedade de maneira positiva. O cenário, claro, vai de encontro àquilo que o Agora aborda já há algum tempo: vídeos, discursos e opiniões, por mais que sejam lindos e alimentem alguns egos, não mudam a realidade do país, que segue dura e cruel. O valor decorrente da arrecadação dos tributos continua sendo mal aplicado no Brasil, e isso prova que apesar de possuir uma alta carga tributária, equivalente à de países desenvolvidos, o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) nacional reflete um desenvolvimento humano muito precário. E, não há opinião, não existe vídeo, não tem discurso capaz de mudar este contexto. O alerta foi feito e é preciso procurar melhorias urgentes. Pois, o que se vê por todos os lados são apenas cortes muito do que é principal e essencial para melhorar a qualidade de vida da população. 

O que piora todo este cenário é o fato de o povo ter embarcado no populismo político e se contentado com pouco. Afinal, a falta capacidade de gestão ao homem público brasileiro está mais uma vez escancarada. E, talvez o passo para a mudança seja apenas o povo acordar para a vida, para o real, e para o que dever de cobrança que chama, que grita, que urra.

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