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Editorial

Direção certa 

Por Portal Agora
Direção certa 

A Câmara dos Deputados ultrapassou nesta semana a marca de R$ 1 bilhão em gastos anuais com secretários parlamentares que não possuem controle efetivo de jornada. O valor atingiu seu ápice durante a presidência de Hugo Motta (Republicanos-PB). A notícia mostra o quão perdido estão os brasileiros. Essa é apenas mais uma comprovação de que voltado em suas crenças e ideologias, o povo tem gastado energia ao fútil, ao supérfluo, e se esquecendo do que de fato interessa. Envoltos em uma cortina de fumaça chamada “polarização política”, os brasileiros se esquecem de olhar para a direção certa e seguem sem dar importância ao que é necessário e primordial. O desejo ardente de ser visto, de ser ouvido, de ser representado, da busca incessante por um herói, tem feito com que o povo siga trilhando por caminhos que não levam a absolutamente lugar nenhum. Quem tira vantagem disso são os governantes, que continuam com a farra do dinheiro público como sempre foi. 

Estes secretários parlamentares não precisam registrar ponto eletrônico e têm sua jornada de 40 horas semanais atestada apenas por declaração dos próprios gabinetes. Já há inclusive casos comprovados de profissionais que prestam serviço em outros locais e exercem suas profissões normalmente durante o expediente de trabalho na Câmara dos Deputados. Essa é apenas mais uma entre tantas certezas de que o Brasil segue exatamente igual. No mesmo lugar. Andando em círculos. Enquanto o povo deixa de olhar na direção certa, e segue em seus conflitos e “achismos”, a farra com o dinheiro público é feita “a torto e a direito”. Bem debaixo do nariz da população, “à luz do dia”. Tudo segue igual. 

A música “Brasil”, de autoria de Cazuza, lançada em 1988, traz uma reflexão importante em uma parte específica que retrata muito bem este cenário: “Brasil, mostra tua cara! Quero ver quem paga, pra gente ficar assim”. E aí vem a pergunta: quem paga para a gente ficar assim? Os governantes ou o próprio povo? Quem é o grande financiador deste cenário que segue exatamente igual. Entra ano, sai ano. Entra governo, sai governo. Quem paga para que a população siga perdida e incapaz de olhar na direção certa? 

Reflexões como essas têm se tornado cada vez mais importantes. Afinal, é preciso ter coerência entre o que se diz e o que se faz. Em um Brasil cada vez mais moralista, onde cada vez mais governantes são eleitos sob o discurso de intolerância à corrupção, é primordial que o exemplo venha de cima. Senão de que vale tanto moralismo político, e intolerância? Em um país que aparentemente busca cada vez mais estar nos “eixos morais e éticos”, é repugnante ainda se deparar com situações como essa. A farra com o dinheiro público segue sendo feita à torto e à direito “nessa festa pobre”, regada a muita hipocrisia. É preciso olhar para a direção certa, ou perderemos o que realmente interessa.

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