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Editorial

Desconfiança 

Por Portal Agora
Desconfiança 

A mais recente pesquisa da Quaest, encomendada pela Genial Investimentos, traz dados que não podem ser ignorados: os brasileiros estão, majoritariamente, insatisfeitos com o desempenho dos Três Poderes da República. Executivo, Legislativo e Judiciário enfrentam um cenário de desaprovação que revela não apenas um desgaste momentâneo, mas um ceticismo profundo quanto aos rumos da política nacional. A pesquisa foi realizada entre os dias 10 a 14 de julho. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 120 municípios do país. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos e o nível de confiança é de 95%.

Os números falam por si. O Congresso Nacional é desaprovado por 51% dos entrevistados. O Supremo Tribunal Federal, por 48%. E o governo Lula é reprovado por 53%. Em todos os casos, a desaprovação supera a aprovação — sinal de que a confiança da população está abalada.

A crise tem múltiplas camadas. No Executivo, o governo Lula enfrenta dificuldades de comunicação e uma base política fragmentada. No Legislativo, a percepção é de uma classe distante, por vezes voltada a interesses próprios e com pouca sintonia com as necessidades reais do povo - interessada em apenas fomentar as narrativas de polarização. Já o Judiciário, especialmente o STF, sofre com a crescente politização de suas decisões e o distanciamento de uma postura que deveria ser essencialmente técnica e imparcial, além dos inúmeros privilégios e benefícios. 

Esse descontentamento generalizado não é novo, mas tem se aprofundado com o tempo. A sensação generalizada de que "nada muda" ou de que "eles trabalham contra nós" cria contribuem para a descrença na própria democracia. Quando o povo perde a confiança nas instituições, o terreno fica fértil para discursos populistas e extremistas.

Mas é justamente nesses momentos que se deve reafirmar a importância das instituições. O problema não está na existência dos Três Poderes — pilares do sistema republicano —, mas na forma como seus representantes têm exercido suas funções, buscando o protagonismo a todo instante. A crítica pública, expressa em pesquisas como essa, é saudável e legítima. Deve servir de alerta para que Executivo, Legislativo e Judiciário saiam de suas zonas de conforto e se reconectem com a sociedade que juraram servir.

O que temos visto, infelizmente, são poucos representantes dispostos a trabalhar por aqueles que os elegeram. Vives na bolha das redes sociais, provocando a oposição e causando barulho e discórdia. Os dois lados puxam a corda até o limite - criticando como se fosse o apocalipse ou elogiando como se fosse o paraíso. São poucos os que mantêm sua postura séria e equilibrada, com capacidade de diálogo, articulação e resolução dos problemas que afetam os cidadãos. 

O Brasil precisa de lideranças que ouçam mais e falem menos. Que trabalhem por reformas reais, por justiça eficaz, por um parlamento transparente. Não há mais espaço para vaidades, jogos de poder ou promessas vazias. O recado das ruas, agora captado pelos números, é claro: o cidadão quer ser ouvido, quer mudanças — e, acima de tudo, quer respeito.

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