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Editorial

Impunidade

Por Portal Agora
Impunidade

Divinópolis amanheceu nesta quarta-feira sob o peso de mais um episódio alarmante de violência urbana. Na noite anterior, uma criança de apenas 4 anos foi ferida no pescoço por um homem, em plena avenida 7 de Setembro, no Centro da cidade. Um caso que não só choca pelo absurdo da agressão, mas que revela, mais uma vez, as falhas preocupantes em duas áreas fundamentais: segurança pública.

O episódio exige mais do que indignação momentânea. Ele obriga uma reflexão séria sobre o modelo de cuidado e prevenção que estamos oferecendo — ou deixando de oferecer — à população. Mas a pergunta que ecoa com ainda mais força é: por que prevalece a sensação de insegurança? A quantidade de assassinatos, brigas e casos de violência como esses assustam pela naturalidade com que acontecem. 

O suspeito, felizmente, chegou a ser preso, sendo foragido da Justiça e com passagens por roubo, furto e tráfico de drogas. Uma situação que, novamente, levanta críticas ao judiciário pelo tradicional “prende, solta”. A Polícia Militar (PM) faz sua parte, mas não é raro os inúmeros malabarismos e brechas jurídicas permitirem que indivíduos perigosos sigam soltos. 

E esse é um retrato do país. A sensação de impunidade, infelizmente, não é apenas um sentimento: é um retrato fiel de um sistema que falha em proteger o cidadão, abandona os profissionais da linha de frente e ainda oferece brechas generosas para que criminosos perigosos sigam livres. De um lado, temos uma Polícia Militar sobrecarregada, mal remunerada e frequentemente desvalorizada. Enquanto o Estado exige deles sacrifício, oferece em troca apenas descaso, salários defasados e promessas não cumpridas.

Por outro lado, um sistema por vezes falho, com um garantismo que, na prática, transforma o combate ao crime em uma corrida com obstáculos quase intransponíveis. Prisões que viram liberdade em horas. Decisões judiciais que autorizam a soltura de criminosos reincidentes. E quando não é a lentidão da Justiça que beneficia o infrator, são as brechas legais que minam qualquer tentativa de resposta firme ao crime. A impunidade virou combustível para a violência. A ausência de punição eficaz, rápida e justa é um convite para que o crime prospere.

Outro ponto é que Divinópolis, com mais de 240 mil habitantes, ainda não conta com uma guarda municipal — algo que municípios menores, como Pará de Minas, já implementaram. A justificativa habitual recai sobre o custo elevado da criação e manutenção de uma guarda, o que de fato é verdadeiro. 

No entanto, a questão que se impõe é: Quanto custa a tranquilidade de uma família que passeia pelo Centro da cidade? O investimento em segurança preventiva é alto, sim, mas o retorno em proteção, cidadania e confiança é incalculável. É preciso reconhecer que uma força municipal de segurança — treinada, equipada e próxima da comunidade — pode ser fundamental para evitar tragédias.

Não que a guarda municipal seja a solução mágica para a segurança pública, mas é uma engrenagem que pode ajudar. Assim como uma central de monitoramento, o fortalecimento do sistema Olho Vivo e tantas outras soluções tecnológicas que podem contribuir no combate à criminalidade. Segurança não é luxo. E deve ser cobrado com a firmeza que a sociedade, mais uma vez ferida, exige e merece.

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