E o trabalho?

A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovou, em maio deste ano, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com a reeleição para presidente da República, governador e prefeito, além de estabelecer um mandato de cinco anos para esses cargos, assim como para os parlamentares (PEC 12/2022). A proposta também define eleições unificadas para todos os cargos a partir de 2034. Apesar de muita gente ainda não entender, esse tema traz um importante avanço para o Brasil. Afinal, a Proposta apenas regulamenta o que já acontece no dia a dia. Sim! Embora as eleições municipais e majoritárias sejam realizadas apenas a cada quatro anos, desde o “boom” das redes sociais as campanhas eleitorais não têm fim. Os candidatos mal são eleitos e já começam o próximo pleito.
O exemplo claro disso está bem aqui em Divinópolis. As eleições municipais mal tinham acabado, na noite do dia 6 de outubro do ano passado, e já era possível ver candidato eleito trabalhando em sua campanha para deputado estadual. Hoje, seis meses depois do início da 26ª Legislatura, com mais problemas para resolver na cidade do que soluções apresentadas por boa parte dos parlamentares, os corredores da Câmara mostram uma disputa acirrada para 2026 e, acreditem se quiser, para 2028. O mandato mal começou e já é possível esbarrar nas ruas de Divinópolis com assessores de vereadores fazendo campanha abertamente. Diante o cenário criado nos últimos dez anos, quando uma eleição interfere e define a outra, nada mais justo do que apenas formalizar o que já acontece descaradamente e infringe a lei eleitoral.
Mas o que mais chama a atenção nisso tudo é um ponto: e Divinópolis? Como a cidade fica se na verdade as eleições municipais estão, aparentemente, sendo apenas usadas para que os eleitos busquem uma cadeira na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) e/ou na Câmara dos Deputados? Como os problemas do município ficam, quando as pautas a serem trabalhadas são escolhidas a dedo e com um único critério: dá voto? Todo este contexto recai, mais uma vez, sobre o eleitor que tem a responsabilidade cada vez maior na escolha de seus representantes. Afinal, não adianta eleger um governante que não tem interesse de fato em trabalhar pela cidade, mas só se autopromover para conseguir uma cadeira nas eleições majoritárias.
Talvez a PEC 12/2022 venha a ser um pequeno avanço para o país, pois quem quiser disputar as eleições municipais não poderá mais ser eleito “de olho” nas majoritárias. Pelo contrário, terá que trabalhar pela cidade. O que se sabe é que trabalho não falta e Divinópolis precisa de grandes avanços, que consigam ir além de asfalto e calçamento. A cidade precisa crescer em diversos setores como saúde, educação e se tornar atrativa para investimentos de grandes empresas para crescer a economia. Se trabalho não falta, então que venham pessoas que de fato queiram trabalhar por Divinópolis e não apenas usar o Município para “subir na vida”.
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