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Editorial

Mal começou 

Mal começou 

O ano mal começou e Divinópolis viveu dias intensos na política local. Bastou tomarem posse e os vereadores tentaram fazer descer goela abaixo da população um aumento de mais de 370% do ticket alimentação concedido à categoria. Após muita polêmica e uma semana tensa de negociações nos corredores do Poder Legislativo, inclusive com a  traição do vice-presidente da Mesa Diretora, Wesley Jarbas (Republicanos), que recuou após a pressão da população, a mesma caneta que assinou a Portaria, a revogou. O ano mal começou e a política local viveu dias intensos, mostrando muito mais do que a maioria dos divinopolitanos consegue ver. 

Se por um lado o presidente da Câmara, Israel da Farmácia (PP) assinou sozinho a norma, a verdade por trás disso é que a portaria foi construída a várias mãos, e com o consenso dos demais parlamentares. Eleitos e reeleitos se uniram em uma tentativa de aumentar o próprio salário em pouco mais de R$ 2 mil, não fosse a pressão do povo, até mesmo com o consenso do Poder Executivo. Em discursos vazios, cheios de “esquivos”, cada um dos envolvidos e daqueles que foram para as redes sociais tentar justificar o injustificável, ficou a prova de que o juramento feito no dia 1º de janeiro não passou de mais um teatro em meio aos flashes que ocuparam o Poder Legislativo naquela tarde fatídica, onde centenas de promessas ficavam pelo caminho. 

O contexto envolvendo o aumento do ticket alimentação, a hipocrisia, o silêncio e as meias verdades dos políticos locais escancarou o grande espetáculo que foi a tarde do dia 1º de janeiro, e que todos sequer prestaram atenção na fala do juiz eleitoral, quando ele citou uma parte da Bíblia: “A quem muito foi dado, muito será exigido; e a quem muito foi confiado, muito mais será pedido”, Lucas 12: 42-48. Envoltos em hipocrisia e traição, sem sombra de dúvidas os vereadores começaram o ano com o pé esquerdo. 

E o resultado disso: a Mesa Diretora está rachada. Com isso, a pergunta: como esta situação afetará a relação dos parlamentares com o prefeito, e como isso impactará na cidade como um todo, uma vez que está mais do que claro que cada um está trabalhando por si e não pelo povo? O ano mal começou e o que se vê é um Poder Legislativo amador, irresponsável e desleal, entre os pares e com o povo. Não é possível definir o que é pior, se a tentativa de aumento do próprio salário ou a falta de hombridade de alguns parlamentares que sucumbiram à pressão e tentaram justificar o injustificável com vídeos e discursos vazios em suas redes sociais. 

Para a população fica a lição: nem tudo que reluz é ouro. Nem tudo o que se está nas redes sociais é real. Os bastidores contam muito mais do que o povo pode imaginar. E as entrelinhas revelam além do que muitas vezes os olhos conseguem ver. O primeiro furacão passou, mas deixou marcas no que tange a hombridade e a responsabilidade dos políticos locais com os eleitores, e o principal, revelou muito além do que o povo imaginou ver um dia. Agora, só cabe aos divinopolitanos acordarem, nem que seja um pouco, pois a verdade é que injustiça muda de acordo com os interesses. Então, que venha a próxima novela, porque o ano mal começou.

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