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Editorial

Do lado de dentro 

Do lado de dentro 

Do lado de fora a chuva cai de forma abundante. Do lado de dentro, o governo federal reduz verba para gestão de desastres ambientais, mesmo após um ano marcado por enchentes, secas e queimadas históricas na proposta orçamentária destinada à gestão de riscos e desastres no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) 2025. Do lado de fora, como já esperado, a chuva cai, e deixa cidades tomadas pela água. Do lado dentro móveis são perdidos, histórias se reduzem a lama, e vidas precisam ser reconstruídas. Assim como em todo Brasil, em Divinópolis não é diferente. Do lado de fora, a avenida JK é tomada pela água, como sempre. Do lado de dentro, carros ficam submersos. Do lado de fora, os mesmos bairros são invadidos de uma forma violenta pelas chuvas. Do lado de dentro, a única solução é ver tudo ir embora, e aguardar pelo recomeço, pelas doações, pela solidariedade do próximo. Afinal, as políticas públicas para evitar que esta situação não se repita simplesmente não existem. O que há é apenas “remediação”. Por aqui, o amadorismo político urra para todos os cantos da cidade, e absolutamente nada é feito, a não ser campanhas de doações depois que tudo se foi junto à enxurrada. 

Governo federal, estadual e municipal. Não é possível determinar qual é pior quando o assunto é prevenção e ação. No Legislativo não é diferente. As águas de março fecham o verão, em meio ao caos da dengue, e em um piscar de olhos tudo é esquecido, nada é feito, e no final do ano todos estarão exatamente no mesmo lugar. Tanto do lado de fora, quanto do lado de dentro. Os governos começam a reconhecer os “estados de calamidade pública”. Os estragos estão por todos os lados mostrando que não apenas a chuva passou por ali, mas também a incompetência dos governantes brasileiros. Se o governo federal reduz, os demais governos seguem à vontade para não investir em melhorias de infraestrutura, e de ações ambientais que possam evitar este caos todos os anos. O municipal fica atado, pois depende de recursos que vêm cima.   Do lado de fora, enquanto as ruas são inundadas Brasil afora, do lado de dentro os políticos brasileiros seguem à vontade cumprindo os seus papéis de fingir que estão trabalhando e que algo está sendo feito. Todos muito seguros em suas casas, em seus gabinetes. Enquanto do lado de dentro a população coloca a lama para fora, do lado de fora os governantes continuam com seus teatros que são exatamente os mesmos todos os anos. 

O risco de chuva forte que deixou 99% das cidades de Minas Gerais em alerta amarelo não seria tão angustiante se por aqui se os políticos pensassem de verdade no povo. O cenário poderia ser outro, mas o que desola é saber que os brasileiros se acostumaram com o que está do lado de dentro, e do lado de fora. O que entristece é saber que daqui dois meses todos já se esqueceram disso tudo, e em dezembro tudo estará do mesmo modo. Do lado de fora a JK estará cheia de enxurrada, junto com os mesmos bairros que alagam todos os anos na cidade. Enquanto do lado de dentro a população seguirá puxando com o rodo toda a lama, assinando, mais um ano, a sua sentença de passar pelo mesmo caos, sempre. Sem grandes expectativas de mudanças, contando apenas com a solidariedade do próximo, mais nada!

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