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Editorial

Tragédia

Por Portal Agora
Tragédia

Mais uma vez, a BR-494, em Divinópolis, foi palco de uma tragédia que poderia ter sido evitada. Na última sexta-feira, um grave acidente envolvendo uma motocicleta e um caminhão ceifou a vida de Josimar de Jesus Pereira, de apenas 29 anos, que não resistiu aos ferimentos e faleceu neste domingo. A dor da perda se repete em um cenário já conhecido, marcado pela negligência e pelo descaso.

Há anos, moradores, lideranças comunitárias e autoridades locais clamam pela duplicação da rodovia — um pedido justo, urgente e, acima de tudo, necessário. A BR-494 não comporta mais o volume de veículos que por ela transitam diariamente. Sua estrutura ultrapassada e a falta de sinalização adequada aumentam o risco de colisões, especialmente entre veículos de portes diferentes, como motos e caminhões.

Infelizmente, a resposta do governo federal tem sido a indiferença. O que falta não é diagnóstico — todos sabem o que precisa ser feito. Falta, sim, sensibilidade política e compromisso com a vida. Enquanto o poder público se esquiva de suas responsabilidades, o asfalto da BR-494 continua sendo regado pelo sangue de vítimas inocentes. A omissão custa caro — custa vidas.

Cada cruz plantada à beira da estrada conta uma história interrompida. São famílias devastadas, sonhos destruídos e uma população cansada de esperar por promessas que nunca saem do papel. A duplicação da BR-494 é mais do que uma obra de infraestrutura; é uma medida urgente de segurança pública.

É inaceitável que, em pleno 2025, ainda tenhamos rodovias federais em condições tão precárias. A morte do jovem de 29 anos não pode ser apenas mais um número nas estatísticas. Ela precisa servir como um chamado à ação.

Enquanto não houver sensibilidade e prioridade por parte do governo federal, continuaremos lamentando tragédias previsíveis. E cada nova vítima será mais um atestado de que o Brasil ainda falha, de forma cruel, em proteger a vida de seus cidadãos.

Apenas no trecho entre os quilômetros 35 ao 42, do anel rodoviário de Divinópolis a ponte sobre o Rio Itapecerica. São, em média, 18 mil veículos por dia, com acidentes quase diários devido ao alto fluxo e às condições da via. E, com a inauguração do Hospital Regional, a tendência é de ainda mais movimento e, consequentemente, mais acidentes.

Uma situação que precisa unir a classe política para pressionar o governo federal. Não podemos naturalizar as mortes. O governo federal precisa, ao menos, oferecer uma perspectiva de melhorias para a via. Caso contrário, vidas continuarão sendo perdidas. Trágica anunciada atrás de tragédia anunciada, sem o mínimo de sensibilidade do governo. Afinal, diante de tantas notícias, como o aumento de deputados, reajuste do Fundo Partidário e outros, o que não falta é dinheiro. Falta coragem, falta empatia com as famílias que perderam seus entes queridos e falta, principalmente, coragem para de fato representar aqueles que os elegeram. 

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