Realidade estampada

Promessas, promessas e mais promessas… É o que não falta no Brasil. A cada dois anos o Brasil se divide em dois grupos: candidatos x eleitores. De um lado aqueles que querem permanecer ou entrar no poder, do outro quem dá a oportunidade para que os “disputantes” realizem o seu desejo. De cá, aqueles que sonham em chegar – ou permanecer – no poder percorrem um caminho, que tem como principal pilar iludir o povo, fazer promessas, prometer até o impossível. Mas, apesar de este “jogo” ter “demonizado” apenas um lado, a verdade por trás disso é mais cruel e dolorosa do que se pensa. Que o povo brasileiro ama o papel de vítima, se vitimizar, isso todos já sabem, está mais do que escancarado. Com o passar dos anos esta postura da população se revelou e hoje é impossível negar. E, é justamente neste ponto que há algo interessante. De fato a política brasileira está longe, mas muito longe de sequer ser exemplo, porém do outro lado existe um povo que gosta sim de ser iludido. As promessas estão por todos os lados, é verdade, mas a pergunta é: se um candidato disser a verdade em sua campanha, demonstrar suas limitações, ele será eleito?
A resposta é mais clara do que o “sol do meio dia”. Sem sombra de dúvidas não! O povo brasileiro gosta de ser enganado, gosta de ser iludido, e de depois se fazer de vítima. A verdade é que neste “jogo” já enraizado não existe nem vilão, e nem mocinho. Os políticos fazem apenas o que lhes é permitido, e por aqui “muito” é permitido. As promessas de fato ficam no meio do caminho. Há cerca de quatro meses o Brasil tinha candidatos aos quatro cantos do país fazendo promessas. Em Divinópolis, a situação foi exatamente a mesma. Os discursos eram à base de serem contra a corrupção, contra o sistema, à favor da transparência, e que tudo ia mudar, ia melhorar. Bastou a “chave virar”, a posse vir, para que os eleitores levassem o “primeiro golpe”, diga-se assim. Na primeira oportunidade, a Câmara aumentou em mais de 300% o ticket alimentação dos vereadores, passando para pouco mais de R$ 2 mil mensal. Silêncio do lado de lá. Do lado de cá, como já habituados, os eleitores se revoltaram e fizeram suas rotineiras cobranças, que daqui dois meses sequer serão lembradas. São promessas de redução de cargos comissionados, de não indicar ou empregar alguém. Mas, a verdade é que o sistema não aceita, e mesmo que seja pouco, sempre tem os favorecimentos. Sim, é verdade que está longe do que um dia já foi, porém é impossível não se questionar: se eles falassem a real para os eleitores, eles seriam eleitos?
Diante deste cenário, de fato não tem como as promessas ficarem no caminho. Ficarem apenas no ilusório. O povo brasileiro mais do que se acostumou com este “jogo”, a população gosta, e algumas vezes até prefere ser enganada. Talvez porque a realidade é dura demais para ser enxergada, para ser encarada. Mas, a questão aqui é que com tantas promessas que se perdem neste caminho, não tem como sonhar com mudança, pois a realidade, que está ampliada mais de 300% na cara do eleitor.
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