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Editorial

‘Olho nú’

‘Olho nú’

Muita gente não sabe, mas a humanidade vem sendo tomada por um transtorno que está se alastrando cada vez mais e de uma maneira incontrolável. O narcisismo é um transtorno de personalidade que se caracteriza por uma grandiosidade exacerbada, falta de empatia e uma busca constante por admiração. É preciso de um diagnóstico médico e psicológico, claro, porém é fato que este comportamento ultrapassou as individualidades, tem tomado conta do coletivo, e explicado muito essa loucura coletiva, essa aceitação de conspirações, e a força das fake news. Apesar de ainda não ser possível contabilizar os estragos que este transtorno tem trazido para o mundo, mas essa explicação já traz uma luz no fim do túnel, e uma direção do porquê os seres humanos entraram nessa onda do negacionismo, e com isso têm trazido cada vez mais retrocessos para a humanidade. De acordo com especialistas, o “narcisismo coletivo”, ou a convicção exagerada de um grupo em sua própria importância, nada mais é do que a busca constante por inimigos imaginários, que carreguem a culpa das teorias da conspiração criadas em suas cabeças. Pode até parecer complicado tudo isso, mas a verdade é que este “narcisismo coletivo” acontece todos os dias, a “olho nu”, e não é tão difícil provar. 

De 2016 para cá, quando os políticos descobriram as redes sociais e o poder que elas têm, o que mais se criou foram cenários imaginários para favorecer lado A ou lado B, e claro, tudo utilizando muito medo e mentiras. Problemas eram inventados a “rodo” por aí. As fake news ganharam força. O modus operandi era – e ainda é – praticamente o mesmo. Usar das fraquezas, das fragilidades dos mais vulneráveis para criar cenários e inimigos imaginários. Com isso, o líder segue com o poder e idolatrado por todos. Em Divinópolis, por exemplo, é possível detectar este comportamento no meio político. Ao invés de cuidarem dos problemas reais da cidade, como saúde pública, fila de espera por exames, educação, segurança, infraestrutura, assistência social, alguns vereadores, por exemplo, preferem criar problemas, e defender pautas inexistentes, ou até mesmo pautas em que eles não têm nenhum poder de decisão. Sem qualquer poder para legislar sobre alguns assuntos, preferem usar o tema de forma deturpada, usando o nome de Deus – em vão – quando Divinópolis segue com 455327 problemas a serem solucionados. Esse é apenas um entre os milhares de exemplos do “narcisismo coletivo” por aqui. 

Talvez o ponto central disso tudo seja: mas e aí, o que esse tipo de discussão de problema imaginário – e as centenas de outras feitas diariamente – trazem de melhorias para o povo? Como isso reduz a fila de espera por exames? Como isso acelera a fila de consultas pelo Sistema Único de Saúde (SUS)? Como isso garante vagas para a educação infantil? Como isso fiscaliza o Executivo? Essas são perguntas que seguirão sem respostas, sem sombra dúvidas, mas trazem a certeza de quanto mais explicações se tem sobre este comportamento, mais nítida fica a certeza de que a humanidade está longe de evoluir

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