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Editorial

Dá uma saudade!

Dá uma saudade!

A 26ª Legislatura da Câmara de Divinópolis sem dúvidas está deixando, e muito, a desejar. Assistir as reuniões ordinárias, acompanhar o trabalho dos vereadores tem se tornado além de maçante, um grande desafio. Longe de conseguirem cumprir suas obrigações, os parlamentares têm se tornado políticos de vídeos. A situação do Legislativo é tão vexatória que chega a dar saudade dos tempos em que se tinha fiscalização e oposição. Sim! Muita gente pode até achar estranha essa afirmação, mas a verdade é que para que a democracia funcione é necessário que exista uma oposição sadia e inteligente, capaz de elevar o debate na Casa, e mostrar, denunciar e corrigir as falhas do Executivo. Caso contrário, apenas um lado governa, e governa livremente, o que traz prejuízos incalculáveis para a sociedade. A existência de uma oposição que vai fiscalizar, acompanhar, monitorar o que faz o governo, o Executivo, é uma condição de extrema importância, pois oferece informações para os eleitores sobre o que está acontecendo, com outra visão, e isso é o que mais tem feito falta na política da cidade. 

Incapazes de cumprir os seus papéis, alguns vereadores chegam até mesmo a decorar seus discursos e encenam na Tribuna Livre durante as reuniões ordinárias. Focados apenas em seus próprios interesses, eles passam longe de representar um povo. Distantes de serem fiscalizadores, os parlamentares se mostram verdadeiros leões nas redes sociais, quando na verdade são apenas cordeirinhos nos corredores da Câmara. Não têm posicionamento político, não fiscalizam, não mostram o que está errado, e ficam apenas atrás de obras eleitoreiras, quando a principal coisa que um vereador não faz é obra. Apresentam projetos rasos, sem grandes impactos em Divinópolis, a maioria em busca de politicagem e não cumprem com uma de suas principais obrigações: fiscalizar. O Legislativo divinopolitano vai por água abaixo. E, chega a bater uma saudade da agora conhecida “velha política”, que por muitas vezes mostrou erros de administrações passadas  e cobrou por melhorias na cidade. É como dizem por aí: “nada é tão ruim que não possa piorar”. 

Em 2006, o então senador Cristovam Buarque disse algo que se perdeu com o tempo, mas faz total sentido, e é preciso resgatar: Governo sem oposição é ditadura. E, de ditadura, o Brasil entende. Apesar de sua democracia conquistada a duras penas, o país carrega em sua história um passado obscuro, e cenas que não devem ser nunca esquecidas, para que não sejam repetidas. Por aqui o que se vê nos bastidores é uma dinastia maquiada, pois o que se tem nas mãos hoje é um Legislativo raso, amador, amarrado e voltado apenas pensando em si próprio. Longe de cumprir com sua verdadeira obrigação, a atuação da 26ª Legislatura faz por merecer, sentir saudade de quando Divinópolis tinha um parlamento capaz de discutir, fazer oposição e apresentar boas pautas.

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