Terra sem lei?

Ameaças, injúrias, denunciação caluniosa, violência psicológica, transmissão e publicação de fotos e vídeos de nudez e pornográficos de adolescentes, instigação à automutilação, veiculação de símbolos nazistas, associação criminosa e corrupção de menores. Era esse tipo de conteúdo que um homem, de idade não revelada, enviava para deputadas mineiras, e resultou em sua condenação de 12 anos e nove meses de prisão, em regime inicialmente fechado. Essa é a sentença que o suspeito recebeu por se achar acima da lei, por acreditar que a internet é terra sem lei, e que estava acima do bem e do mal. Apesar de muita gente achar que não, mas um dia, mais cedo ou mais tarde a conta chega. Apesar de muita gente acreditar que sim, mas a internet não dá superpoderes. Apesar de muita achar o contrário, a verdade é que não se pode esconder por trás das telas destilando ódio por muito tempo sem consequências. A conta chega, mais cedo ou mais tarde. De acordo com o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG), o réu se "utilizava de múltiplos pseudônimos e técnicas de ocultação para praticar os crimes". Como dizem por aí: a casa caiu. Ele pode até ter tentado se esconder, mas a conta chegou, e essa não falha. Para o Grupo de Atuação Especial de Combate aos Crimes Cibernéticos (Gaeciber) a sentença é um marco no combate aos crimes cibernéticos.
De fato. Essa condenação é um divisor de águas no combate aos crimes cometidos na internet por pessoas que se acham acima do bem e do mal, e que acreditam que a conta nunca irá chegar. Além disso, a sentença mostra que quando se quer é possível sim ser feito. A condenação se deu por meio da 12ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte e contou com o apoio das Polícias Militar (PMMG) e Civil de Minas Gerais (PCMG). Aplausos a essas instituições que por meio de uma sentença mostraram que apesar de muitos acreditarem, a internet não é uma terra sem lei. Alívio. Essa é a palavra que define o sentimento ao ver um criminoso respondendo por seus atos, apesar de suas tentativas de se manter impune. Covarde. Essa é a palavra que define aqueles que praticam tais crimes. Acreditando estarem acima de todos, eles não passam de covardes. Mas, para quem acredita que por aqui tudo segue impune, o exemplo está aí. Já não é mais possível se esconder atrás de telas para cometer tais crimes. Para quem acredita que não há reação para as ações, o resultado mostra diferente.
Essa condenação traz a reflexão da escolha dos caminhos que se quer trilhar nesta vida. Apesar de tudo isso estar ligado a um fortíssimo desvio de caráter, já é possível se ver os grandes avanços para impedir que tais crimes sigam impunes. Apesar de as redes sociais terem dado voz a uma legião de imbecis – parafraseando Umberto Eco – ainda é possível escolher o que se fala, afinal, a Terceira Lei de Newton não falha: para toda ação há uma reação,sim! Essa condenação mostra isso. A internet não é mais uma terra sem lei. E, apesar de muita gente acreditar que a conta não chega, basta sentar e esperar, porque ela vem! Cedo ou tarde, ela vem.
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