Deixem elas em paz

Quando as mulheres terão paz? Esse é um dos questionamentos que surgem em casos de assédio como o vereador eleito em Carmo do Cajuru, João Lacerda, suspeito de agressão e importunação sexual contra a ex-companheira. Apesar de muita gente achar que esse é apenas mais um caso em meio a tantos outros que acontecem no país diariamente, é de extrema urgência que a população volte os olhos para as mulheres, e comece a criar medidas que tenham efeitos reais, e que deem à elas o direito de terminarem os seus relacionamentos, de serem donas dos seus corpos, que possam usar a roupa que quiserem, e que pertençam a si mesmas. Já não é mais possível “passar pano” para esses crimes, e se conformar com os dados e as estatísticas. Já não é mais possível seguir de olhos fechados e fingir naturalidade perante tanta brutalidade e violência que as mulheres são expostas todos os dias. Apesar de o caso do vereador ser “apenas mais um na prateleira”, e se juntar a tantos que são registrados todos os dias, já não é mais possível aceitar e fingir que essa praga está impregnada por todo canto.
As estatísticas falam por si só. O Brasil registra, em média, 52 denúncias de importunação sexual por dia. No ano passado, esse número cresceu 28,5% em relação ao ano anterior, totalizando 8.100 casos. As vítimas relatam as formas mais comuns por meio das quais são molestadas: comentários de conotação sexual, perseguições e toques inoportunos, muito presentes em ambientes como transportes coletivos, em que os agressores se aproveitam do desconforto e da superlotação dos veículos. Definitivamente elas não têm paz. E, o pior disso tudo é ver que a população assiste a este escárnio inerte, calada. As mobilizações partem de pequenos grupos que lutam, com seus trabalhos de “formiguinha”, para tentar fazer com que as mulheres sejam livres, donas de si, e não se calem perante a violência. Pois, o fato é que a sociedade não está preparada e não quer se preparar para lidar, para acolher uma mulher vítima de violência. Por trás de tanta comoção quando uma mulher é morta por seu companheiro, ou pelo seu ex-companheiro que não aceitou o fim do relacionamento, o que existe é apenas concordância dos governantes e da sociedade em si, com todos os atos praticados anteriormente até ter se chegado ao crime.
E, perante toda esta hipocrisia que ronda a violência contra as mulheres, a pergunta é: quando elas terão paz? Quando as mulheres poderão ser livres e sentirão que o mundo não é um grande beco escuro para elas? Quando a sociedade abrirá os olhos para estes crimes que demonstram dia após dia o quanto a humanidade falhou e vem falhando? Quando o povo deixará de hipocrisia e abrirá os olhos para a realidade, e pedir medidas duras e drásticas para que as mulheres sejam livres, e tenham paz? Já não é mais possível manter essa conformidade e aceitar em silêncio que elas sejam violentadas todos os dias das mais diferentes maneiras. Elas precisam de paz!
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