Violência nas escolas

Desvalorização da atividade docente no imaginário coletivo, relativização de discursos de ódio e o despreparo de secretarias de educação para lidar com conflitos derivados de situações de racismo e misoginia. São hipóteses que podem ajudar a explicar esse fenômeno complexo e multicausal chamado: violência nas escolas. O Brasil enfrenta um novo cenário de violência em instituições de ensino, marcado por uma escalada nos casos de agressões na comunidade escolar nos últimos 10 anos, e pelos ataques às unidades escolares, que registraram um pico entre 2022 e 2023. Os ataques nas redes sociais “surtiram efeito” e o resultado está aí. Com um aumento alucinante de casos de violência contra professores e alunos, dentro das escolas, o país tem um novo desafio pela frente. Começar o trabalho para tentar mudar este cenário.
O Ministério da Educação (MEC) reconhece quatro tipos de violência que afetam a comunidade escolar. O primeiro refere-se às agressões extremas, com ataques premeditados e letais; o segundo abarca situações de violência interpessoal, envolvendo hostilidades e discriminação entre alunos e professores; e o bullying, quando ocorrem intimidações físicas, verbais ou psicológicas repetitivas. Há, ainda, a violência institucional, que engloba práticas excludentes por parte da escola, por exemplo, quando o material didático utilizado em sala de aula desconsidera questões de diversidade racial e de gênero. Por fim, o MEC identifica os problemas abrangendo o entorno da instituição, como tráfico de drogas, tiroteios e assaltos. Muito além dos vídeos publicados nas redes sociais com cenas que revelam a que ponto a violência está chegando no ambiente escolar, a situação é bem mais complexa do que se consegue ver a “olho nu”. Assim como a saúde pública, a educação do país está ruindo bem na frente dos governantes, que mesmo com este “abacaxi” nas mãos, preferem fechar os olhos e seguir com seus discursos intolerantes, disfarçados de moralidade.
Mesmo com diversas leis que punem este tipo de violências, os furiosos contra o próximo seguem livres para cometer suas atrocidades no ambiente escolar. Para quem não imaginou que o comportamento inadequado praticado na internet não teria efeito, errou feio. Especialistas apontam o impacto que os meios tecnológicos têm neste cenário. Segundo os profissionais, as redes sociais permitem que as pessoas – sejam adultos, crianças ou adolescentes – percam os seus filtros sociais. Em outras palavras, quando se está frente a frente com uma outra pessoa, tem-se uma série de filtros sociais que fazem os seres humanos repensarem o que irão falar. Mas as mídias sociais potencializam a impulsividade. Ou seja, se a pessoa está sentindo algo no momento, ela simplesmente deixa aquilo sair, e isso vem acontecendo com bastante frequência. A prova está aí. Os dados comprovam. O aumento na violência escolar é a resposta para um comportamento longe do ideal. E, contra fatos, não há argumentos. Neste momento, a única solução é refletir e buscar saídas para que o quadro não piore. Pois, se há uma certeza, é que vai piorar. A educação está morrendo, se é que um dia, esteve viva.
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