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Editorial

Para além

Para além

Há exatos sete meses, os brasileiros iam às urnas para escolher prefeitos e vereadores de suas cidades. Mas, o que muita gente sequer imaginava era que a campanha eleitoral continuaria. Seguindo a teoria do “para além”, o que a maioria dos brasileiros sequer sonhavam também, era que ali, em 2024, os bastidores já estavam sendo montados e desenhados para 2026. Sim! Pode até parecer absurdo, mas a verdade é que cada peça era milimetricamente movimentada com o intuito de montar o melhor cenário para os partidos e coligações em 2026. A prova disso é o cenário que se tem hoje. Nomes já começam a ser apresentados, comportamentos mudam gradativamente nas redes sociais. Nos bastidores, já é montado o contexto de quem sai e quem fica. Quem vai para federal, para estadual, para  senador, quem fica na Prefeitura, quem assume tal cargo, e por aí vai. Cada um no seu quadrado já está cumprindo o papel no jogo chamado política. E, para além do que a população consiga imaginar, ela, mais uma vez, será usada. Entre vídeos, discursos, opiniões, envio de emendas detalhadamente calculados, as eleições de 2026 se fazem no nariz do povo, e a campanha está a todo vapor. 

As eleições de 2024 nem bem acabaram, e os governantes já estavam em velocidade total nas articulações para 2026. Os bastidores contam os nomes que estão sendo colocados na mesa, e quais cargos eles disputarão. Enquanto os brasileiros se matam por políticos e por ideologia política, os eleitos e suas equipes “costuram” para tirar proveito da melhor forma possível do atual cenário do país, em todas as esferas. Quem pensava que a campanha eleitoral havia acabado no dia 6 de outubro de 2024, se enganou redondamente. E, se engana quem pensa que após o fechamento das urnas, ela acabará no próximo ano. Tudo recomeçria logo-logo, já de olho em 2026. Para além do que os brasileiros conseguem imaginar, os trabalhos não podem parar, existe um sistema para ser alimentado, para ser sustentado. Entre blefes nas redes sociais de supostas chapas à Presidência e ao governo do Estado, os governantes apenas seguem cumprindo os seus papéis de testar aceitação e possíveis cenários. Entre pesquisas contratadas para confundir o eleitor, a campanha para 2026 está a todo vapor, assim como a “costura”. 

A verdade é que se os bastidores falassem, mostrariam muito além do que os eleitores conseguem enxergar. Os interesses próprios, como sempre, estão em primeiro lugar. Nem mesmo as leis eleitorais são capazes de inibir a atuação daqueles que deveriam dar exemplo. O poder está em primeiro lugar. O povo, como sempre, só é usado. Para este ano, as apostas são nas escolhas dos melhores nomes para os melhores cargos, nos melhores partidos e coligações. Tudo isso já bem articulado ao marketing para que não haja falha quando o assunto for “iludir o gado”. Para muito além do que se consegue enxergar, 2026 está aí. Só não vê quem não quer. A eleição não acabou!

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