Segundo plano

Nem mesmo os retrocessos que o Brasil acumula e a inércia do país são capazes de fazer com que determinados políticos mudem o seu comportamento e comecem a, de fato, trabalhar pelo povo. E, o principal, a honrarem seus generosos salários pagos com o dinheiro público. Enquanto o Brasil segue sucumbindo em diversas áreas, senadores, deputados e até mesmo vereadores estão preocupados com a cor da camisa da seleção brasileira.
A prova de que definitivamente não dá para sonhar com um país evoluído perante os atuais governantes que se tem, começou a vir à tona um site especializado em vazamentos de materiais esportivos divulgou que a camisa do Brasil para a Copa do Mundo será vermelha. Pronto! Bastou essa notícia vir à tona para que a questão ganhasse contornos políticos. Com tantos problemas reais, os parlamentares colocaram a cor de uma futura camisa de futebol como prioridade. Transporte público, Saúde, Educação e tantos outros temas foram, novamente, relegados a segundo plano.
Não é de hoje que a polarização tomou conta das redes sociais. Qualquer assunto, automaticamente, ganha contornos da guerra de narrativas entre direita e esquerda. Uma batalha que fortalece apenas os dois lados — e enfraquece a população que, por anos, aguarda por melhorias do serviço público. E o público, comportando-se como torcedores em um estádio de futebol, aplaudem eufóricos.
Tudo isto vai de encontro, mais uma vez, à teoria da distração. Enquanto o povo sobrevive de Brasil, e paga os gordos salários dos governantes, eles atuam para alimentar o ódio e distrair a população daquilo que realmente interessa: comida no prato, saúde, educação, segurança, infraestrutura, e por aí vai… O que desola é saber que boa parte da população cai nesse joguinho de distração, e se alimenta desta loucura, deste delírio provocado por quem está muito são. Mesmo com os retrocessos se acumulando, e falta de desenvolvimento do país, o povo prefere seguir vivendo tudo isso, a abrir os olhos para o que de fato interessa, e cobrar resultados de quem é muito bem pago para trazer melhorias. O que descrenta é saber que enquanto eles seguem em seus gabinetes com ar condicionado, com suas centenas de benefícios, e com seus diversos de assessores, sentados em suas cadeiras fazendo postagens nada a ver, os brasileiros preferem continuar em suas bolhas, sendo alimentados deste jogo de distração que nada soma, que nada muda, que nada melhoras. Pelo contrário, só traz retrocessos.
A verdade é que pouco importa. A cor da segunda camisa da seleção brasileira tem zero impacto na vida do cidadão, especialmente daqueles que dependem dos serviços públicos. O dia que o povo se atentar para o que de fato é importante, e que tudo isso não passa de estratégia para manter os mais “desavisados” amarrados a ideologias que sequer são suas, talvez dê para pensar em sonhar com um país melhor. Até lá, a saída é se contentar com o que se tem. Com o pouco, medíocre e raso. Pois, se tem algo que não dá para fazer quando o povo está em completo delírio coletivo é pensar em um futuro diferente. Afinal, muita gente não se atentou, mas os “dias melhores” começam a ser construídos agora, neste instante. Até que o povo desperte para o que importa, eles ficarão cada vez mais distantes.
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