‘Na cara dura’

Foi como agiram os deputados estaduais por Minas. O Plenário da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) aprovou, em 1º turno, nesta terça, projetos que dispõem sobre revisão salarial para algumas categorias de servidores públicos. Enquanto servidores da educação e da segurança pública param ruas do centro de Belo Horizonte protestando pela reposição da inflação em seus salários, em outra palavra — pelo básico — as cinco matérias abrangeram apenas os pedidos do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, do Tribunal de Contas do Estado, do Ministério Público, da Defensoria Pública e da própria Assembleia. Na “cara dura”, enquanto ferem o princípio da isonomia, ou da igualdade, que é um conceito jurídico que estabelece que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza —, e concedem reajuste apenas para uma parcela de servidores, os parlamentares não conseguiram dar prosseguimento à discussão do PL 3.503/25, do governador, que reajusta em 5,26% os vencimentos da Educação Básica. Isso sem falar nos demais servidores que verão os seus salários serem defasados mais uma vez, pois ao que tudo indica, apenas essas categorias selecionadas, conseguirão o que reivindicaram. As demais, se quiserem que parem, que vão às ruas lutar por seus direitos, pois por aqui, a “coisa” só funciona no arranque, perante a falta de responsabilidade com a qual os governantes “tocam” este país.
Todo este cenário envolvendo o reajuste salarial dos servidores públicos estaduais escancara mais uma vez o amadorismo político, e o quanto o Brasil segue paralisado, andando em círculos. Na “cara dura", os representantes brasileiros cometem atrocidades, e não fazem nem mais questão de esconder. Um dos motivos da discussão do projeto de lei que prevê a recomposição da inflação dos salários dos profissionais da Educação ter sido adiada, foi a apresentação de quatro emendas, entre elas, uma que busca impedir que mais de 60 mil servidores continuem recebendo vencimentos inferiores a um salário mínimo. Este é apenas um entre tantos outros absurdos que se acumulam Minas Gerais afora. E, diante todo este contexto, é impossível não refletir sobre a falta de investimentos no aparelhamento público, que recai sobre os servidores estaduais, que estão na “ponta”, lidando diariamente com o povo, com a realidade. Apesar de muita gente achar que investimento significa apenas compra de novos materiais, de carros, de insumos, de construção de hospitais, de postos de saúde, de escolas, a verdade é que ele passa também na valorização dos funcionários. E, com este cenário de lutas pelo mínimo, pelo básico, é impossível não perguntar: como que melhora quando um governo não consegue sequer cumprir com sua obrigação?
O que se vê é: para uns reajustes em dia, e porcentagens consideráveis. Para outros absolutamente nada. Como sequer ousar sonhar com desenvolvimento, quando o desrespeito é feito às claras, e as obrigações são deixadas de lado? Como se imaginar que “Minas está nos trilhos”, quando o dinheiro do povo não é respeitado? E o pior, na cara dele.
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