O extraordinário

Muita gente acredita que para atingir o extraordinário é preciso fazer algo grandioso, esplendoroso. Que para ser grande é necessário realizar coisas espetaculares, mas este, sem sombra de dúvidas é um dos maiores enganos da humanidade. Pois, uma das grandes verdades, é que extraordinário mora no simples, mora na rotina, no dia a dia, nos pequenos gestos de amor, de acolhimento, de empatia. A vida e o legado do Papa Francisco são a prova disso. Avesso às “pompas” que o cargo lhe ofertava, decidiu quebrar diversas tradições e se ateve ao simples, ao entendimento, à paz, e aos ensinamentos de Jesus, mostrando que o extraordinário por diversas vezes vem da simplicidade, desde que seja feita com amor. Em seu último ato de grandeza, optou que seus restos mortais fossem enterrados fora dos muros da cidade-estado do Vaticano. Em seu testamento, o pontífice pediu para ser enterrado em um "túmulo simples" na Basílica de Santa Maria Maior. Mais um ato que para muitos não é nada, mas em sua essência transborda ensinamentos. Em um mundo cada vez mais individualista, polarizado, e com a humanidade cada vez mais distante do amor ao próximo, e com os olhos voltados apenas para si mesma, Papa Francisco mostra que o extraordinário é feito no simples, na aceitação.
Seus gestos, sempre baseados na simplicidade, mostram o quão pequenos estão os seres humanos perante seus desejos, o dinheiro, o poder, e a busca constante por preencher seus vazios com o espetáculo. Entre seus ensinamentos, e suas frases marcantes, sem sombra de dúvidas uma se destaca, e deixa uma importante reflexão a todos: “Quem pensa em construir muros e não em construir pontes não é cristão”. Sua vida deixa um legado de grande importância para a humanidade acerca do Evangelho, da fé, das ações dos governantes, e de cada um. Seu legado deixa a certeza de que é possível fazer o extraordinário no simples, e uma difícil e árdua missão: um substituto. Em um mundo cada vez mais vaidoso, e individualista, a tarefa não é fácil. Em um planeta carregado de certezas, que leva os seres humanos à intolerância e a erros, não será tarefa nada fácil. Um homem que atingiu o extraordinário na simplicidade deixa vazio não apenas um cargo, mas corações sedentos por amor e compreensão, e uma grande lição: a certeza é a grande inimiga da união, a tolerância. O desafio, além de encontrar um substituto à altura, daqui para frente, é transformar corações em pontes de amor e empatia. Afinal, até mesmo Cristo duvidou no final quando gritou: “Meu Deus, por que me abandonastes”?.
Assim como Jesus, Francisco mostrou que a fé é algo vivo justamente porque caminha de mãos dadas com a dúvida. E, que a humanidade deve sempre se pautar, por mais difícil que seja, pelo que ensinou Cristo: o amor ao próximo. Afinal, como dito e deixado pelo papa, a fé tem um valor que abrange tudo. Francisco parte, mas deixa ensinamentos que ecoarão pelo tempo, e para a alma, e deixa a certeza: é possível ser extraordinário no simples.
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