É preciso parar

Todos os dias os brasileiros colhem frutos, bem amargos diga-se de passagem, deste movimento que dominou a humanidade, chamado “sociedade do espetáculo”. A verdade é que não tem um só dia que o povo não tenha que lidar com a lei da ação e reação, mas por algum motivo ainda desconhecido, prefere ignorar e fingir que está tudo bem. Quando fala-se em “sociedade do espetáculo”, claro, que o primeiro pensamento que vem à tona é sobre eles: os políticos. Sim! Afinal, se tem uma classe que tem se aproveitado muito bem deste mundo ilusório, são os governantes. Sem qualquer tipo de responsabilidade com suas funções, ou seus cargos, eles se aproveitam deste contexto da melhor maneira possível, e o exploram ao máximo. Mas, é como dizem por aí: no fundo, no fundo, errado elas não estão. Sem tem show, é porque existe a plateia. Divinópolis, claro, também tem os seus espetáculos diários, e também segue nesta movimentação de: plantar, colher e fingir que não está colhendo. A Câmara Municipal se tornou uma “horta”, diante o plantio de espetáculo que os vereadores têm feito. Cada dia um novo “fruto” é plantado. O último, que chamou a atenção foi o anúncio de um parlamentar que irá protocolar um projeto de lei para incluir a leitura da Bíblia nas escolas. Indiferente de qualquer crença e/ou religião, essa é mais uma proposta que entra para a “galeria” de “projetos absurdos” que são protocolados no Poder Legislativo de Divinópolis.
O que mais impressiona é saber que mesmo o Estado sendo laico, como estabelece o artigo 19 da Constituição Federal, essa proposta provavelmente, em nome da sociedade do espetáculo, do ilusório, do “fantástico mundo de Bob”, deve ser aprovada. Por aqui, a coisa tem funcionado mais ou menos assim. Um vereador protocola um projeto de lei que envolve algum assunto polêmico, e mesmo sem amparo legal para, as comissões simplesmente dão ok para o seguimento aos trâmites necessários no Poder Legislativo. Acuados e com medo de serem “cancelados” pela opinião pública – que na grande maioria das vezes desconhece o que é permitido por lei – os vereadores aprovam e encaminham para a sanção do Executivo. Se é de interesse dele, pronto! O próximo passo já é o Diário Oficial, ferindo até mesmo a Constituição Federal. Tudo isso em nome de apenas uma coisa: marketing político. Todo este cenário traz uma descrença enorme, visto que não tem-se muito para onde correr. O contexto está sendo baseado no “goela abaixo”. Não importam as regras, as responsabilidades. O que importa é apenas não ser “cancelado”. Nem que para isso custe aprovar propostas absurdas que ferem dezenas de direitos do povo.
Mesmo sem saber para onde “correr”, a verdade é que é preciso parar. É necessário que alguém pare essa atuação amadora e do Legislativo, pois Divinópolis precisa de mais do que propostas politiqueiras que não acrescentam absolutamente nada, e só alimentam egos e preconceitos. A realidade é que o dia que o povo entender que a Bíblia não é Constituição Federal, muita coisa muda. É preciso parar de fingir que não tem nada acontecendo, que é normal, pois não é. A cidade precisa de muito mais!
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