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Editorial

Explica muita coisa 

Explica muita coisa 

Uma denúncia escancara e explica muita coisa sobre o Brasil. Cerca de 60 mil servidores de Minas Gerais recebem abaixo do salário mínimo, dos quais mais da metade trabalha na Educação Básica. A revelação foi feita em audiência pública da Comissão de Educação, Ciência e Tecnologia da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) na última quinta-feira, 10, e traz luz a algo que todos sabem, mas preferem fingir  que não. Muito além de uma grave denúncia sobre as condições de trabalho dos servidores estaduais, o contexto trazido à tona mostra por quê o Brasil é um país sem grandes chances de se desenvolver, e por qual motivo tudo segue no mais “perfeito e absoluto” caos. Enquanto os representantes na política ganham “rios” de dinheiro para fazer o mínimo, e para legislar e trabalhar em causa própria, quem carrega este país nas costas e deveria ser valorizado sobrevive com o abaixo do básico. É atordoante. É estonteante, e explica muita coisa. Explica muito além do que se consegue ver, e revela onde está o “ponto chave” de o Brasil ir de mal a pior. É a prova de que não há muitas esperanças. Não tem como e nem para onde se desenvolver. Afinal, os cenários são destoantes e gritantes. É muita desigualdade, e, principalmente, maldade com profissionais tão importantes para todos, como os professores, por exemplo. Afinal, é a partir deles que se tem tantas profissões, tanta gente que conseguiu se formar e ter um bom emprego, um cargo de destaque. E, é a partir deste cenário que se explica e se entende muita coisa. 

Afinal, quando se vive em uma nação que paga mais para quem não faz nada, e paga pouco para quem faz a vida acontecer, e a roda girar, não é possível ter muitas esperanças de que um dia algo irá melhorar. Outra prova de que tudo está indo “por água abaixo”, e o povo está apenas fingindo que não vê, que não sabe. Falta de informação, não é. Pesquisa do Centro de Aprendizagem em Avaliação e Resultados para a África Lusófona e o Brasil, da Escola de Economia de São Paulo (FGV EESP Clear), com o apoio da Fundação Lemann, aponta que a qualidade da educação está positivamente associada com maiores taxas de crescimento econômico. Este levantamento é uma síntese das principais evidências científicas acerca da relação entre qualidade da educação e crescimento econômico, e apontou ainda que acumulação de capital humano é um dos principais motores do crescimento e o principal canal para a realização das aspirações das pessoas. Para infelicidade dos brasileiros, o estudo mostrou ainda que o foco dessa agenda deveria ser voltado aos investimentos públicos na qualidade da educação e na formação de capital humano desde os primeiros anos de vida. 

Muito além de uma simples denúncia debatida por sindicatos e servidores, a revelação comprova para os brasileiros que não há o que se esperar de mudanças e melhorias por aqui. Enquanto comissões debatem, a realidade cobra dia após dia, e quem deveria ser valorizado, sobrevive com o que dá, com o que é imposto. De fato, todo este cenário explica muita coisa, e traz luz sobre o futuro. Não há muito o que se esperar.

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