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Editorial

Responsabilidade dupla 

Responsabilidade dupla 

Bastaram as primeiras chuvas pós-período de estiagem para que velhos problemas de Divinópolis viessem à tona. A população se preparava para começar a semana, na manhã de ontem, quando as águas da região do shopping Pátio Divinópolis ainda começavam a baixar. Com a chuva intensa que atingiu a cidade neste domingo, um córrego transbordou e a água invadiu 20 casas no bairro Serra Verde, e várias ruas também ficaram alagadas nos bairros Bom Pastor e Alvorada. Moradores perderam eletrodomésticos, móveis e alimentos. Os estragos não pararam por aí. No prolongamento do bairro Bom Pastor, na avenida JK, houve inundação da rua, prejuízo no trânsito e invasão de água na garagem de um hotel, além de lojas e uma igreja. No bairro Dona Rosa, conforme a Defesa Civil, o esgoto retornou para dentro das casas. Nos bairros João Paulo e Vivendas da Exposição, um ônibus ficou atolado. O balanço apontou ainda que no bairro Bom Pastor, uma rua ficou inundada, e um carro foi atingido, impossibilitado de funcionar. Foram registradas quedas de árvores, e embora não conste no levantamento, também houve casas invadidas pela água no bairro São Roque.

Ano vai, ano vem, e os problemas de Divinópolis com chuva permanecem praticamente os mesmos.  Falta de obras? Também. Pois é preciso ressaltar que muitas foram feitas nos últimos anos, incluindo a limpeza e aberturas no córrego do Bagaço no Bom Pastor, antes maior responsável por inundações na avenida JK e rua Pitangui. Talvez, não as adequadas para aquela região e outros pontos problemáticos, o que precisa ser revisto. O que precisa ser dito também é que Divinópolis, como outros grandes centros que registram os mesmos problemas, cresceu desordenadamente. Além de permissões equivocadas para construções há pelo menos três décadas em áreas ambientais proibidas. A natureza tem seu fluxo  e não tem culpa de irresponsabilidades. Então não adianta ficar reclamando da chuva, de responsáveis atuais porque o problema não é de hoje e não é tão fácil assim resolver. Se fosse, não morreriam tantas pessoas em diversas regiões pelo mesmo problema todos os anos. Mas, não é só isso. A responsabilidade da população também é gigantesca quando joga lixo na rua, nos rios, nas matas, no mar… Nesse sentido, já passou da hora de todos assumirem as suas e parar de colocar a culpa sempre no outro. As reclamações, as culpas,  os apontamentos, só pipocam em períodos específicos, como da dengue, chuvoso, intenso calor. Mas, a verdade é que se pode contar nos dedos quem não coloca fogo no lixo, no lote. Quem vistoria a casa como deve ser para evitar focos de dengue. Quem economiza água em períodos de restrição de consumo. Quem coloca lixo para fora nos dias certos de coleta. Quem usa a lixeira para descartar o que vai jogar fora. Não que os governantes que foram escolhidos para representar o povo não tenham que ser cobrados, devem e muito. E eles precisam assumir suas responsabilidades, afinal foram eleitos para isso. Porém, muitas vezes, é preciso largar a hipocrisia, a preferência política de lado e cada um fazer a sua parte. Quando a coisa estoura, todos saem prejudicados. Não é somente quem pratica atos muitas vezes criminosos, ou as famílias que são afetadas com catástrofes. Todos são, pois o dinheiro sai do bolso de cada um. Mesmo aquele que mora no 10° andar e não coloca os pés na enxurrada. E não adianta se revoltar só “quando o caldo entorna”. O trabalho precisa ser feito o ano inteiro. Se o ser humano tivesse a metade da criatividade e o sentimento das formigas, por exemplo, que trabalham o ano inteiro juntando alimento, nos cupins, ou outro habitat, para se alimentarem no período da chuva, quem sabe situações assim seriam evitadas. Mas, prefere pensar no próprio umbigo, nem que, para isso, precise sacrificar o outro. 

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