Realidade?

Após quase 15 anos de espera, a promessa feita pelo governador Romeu Zema (Novo) de concluir a obra do Hospital Regional de Divinópolis até setembro ressurge como um alívio à população, mas também com o peso do ceticismo de quem já viu esse filme antes. A obra, marcada por paralisações, promessas vazias e desrespeito à saúde pública, é símbolo de um problema crônico na região Centro-Oeste de Minas: a falta de leitos.
A conclusão da construção não é um presente, é uma obrigação. É o mínimo esperado depois de tanto tempo. Contudo, é preciso ir além da entrega da estrutura física. Um hospital parado, por mais moderno que seja, não salva vidas. A preocupação agora se volta ao que realmente importa: fazer a unidade funcionar.
Na audiência pública realizada na Câmara Municipal por iniciativa do vereador Rodyson do Zé Milton (PV), ficou claro que o desafio vai além do término da obra. Representantes das secretarias municipais de Trânsito (Settrans) e Obras (Semfop) apresentaram as intervenções necessárias no entorno do hospital. A Prefeitura assinou, na semana passada, o empréstimo de R$ 50 milhões para viabilizar melhorias fundamentais, como a ponte que ligará os bairros Realengo e Maria Peçanha, além de obras de acesso e infraestrutura viária. O recurso deverá contemplar desde os projetos arquitetônicos até a execução das obras, previstas para começarem no próximo ano.
Do lado da administração, o governo federal será o responsável pela gestão da unidade. Ainda assim, o início do funcionamento depende de readequações técnicas e burocráticas, conforme dito na última visita técnica. Coincidência ou não, devendo entrar em funcionamento em ano eleitoral. A verdade é apenas uma: os dois lados vão querer reivindicar a paternidade da obra. Zema, pré-candidato à presidência, lavará as mãos para dizer que entregou a obra. Já Lula (PT), possível candidato à reeleição, também deverá se autoentitular o presidente que tirou o hospital do papel e fez funcionar. Agora, todos querem falar, mas quando a obra estava parada, ouvia-se apenas o silêncio.
Diante disso, a população tem todo o direito — e o dever — de cobrar. O hospital precisa sair do papel e entrar na rotina da cidade, com médicos, enfermeiros, equipamentos, insumos e dignidade. A saúde não pode continuar sendo palco de palanques. Chega.
São anos e anos de espera. Quantas vidas poderiam ter sido salvas? Imagina um Hospital Regional funcionando em meio à pandemia? Infelizmente, a construção se estendeu, o que é banalmente normalizado no Brasil. Os repasses do governo estadual pararam em 2016, na gestão de Fernando Pimentel (PT) e a estrutura só não ficou no limbo porque a Prefeitura ainda assegurou vigilância para proteger o patrimônio. Com isso, o hospital, dos quase dez hospitais regionais que ficaram parados, se tornou um dos mais preservados —um alívio em meio às notícias ruins.
Divinópolis e região merecem um hospital que funcione, atenda com qualidade, e honre a história de quem há mais de uma década espera por isso. Mais do que prometer, é hora de cumprir. E mais do que entregar paredes, é hora de abrir portas.
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