O trilho desandou

Um dia após servidores da segurança pública de Minas Gerais terem tomado e fechado parte da Avenida Afonso Pena, no centro de Belo Horizonte, o secretário de Justiça e Segurança Pública de Minas Gerais, Rogério Greco fez uma declaração um tanto controversa, que precisa de mais uma reflexão importante dos mineiros. Em entrevista ao podcast Café com Política, do jornal O Tempo, Greco disse que a falta de verba dificulta as ações do governo para combater o intercâmbio de criminosos, como membros do Comando Vermelho (CV) e do Primeiro Comando da Capital (PCC), para o Estado, e afirmou que o Executivo Estadual está “quebrado”. Em suas declarações, o responsável pela pasta responsabilizou ainda o governo federal para enviar mais recursos, e culpabilizou o ex-governador de Minas, Fernando Pimentel (PT) pela situação financeira do Estado. Greco usou as seguintes palavras: “Minas Gerais é um Estado quebrado, inclusive pelo governo anterior, que destruiu completamente. O Estado não tem verba, mas o governo federal tem muita. Ele podia, ao menos, municiar os Estados com verbas e com materiais. Nós precisamos de tudo: armamentos, viaturas e dinheiro para fazer as operações”, e jogou luz sobre o contexto que vai além das reivindicações dos servidores por algo que lhes é devido por direito, e garantido pela Constituição Federal.
A verdade é que apesar de ser bem reveladora, a entrevista preocupa, pois não é possível determinar o que é pior, se a transferência de responsabilidade, a inércia do Executivo Estadual perante o caos, ou constatar que não houve avanços na segurança pública em quase oito anos de governo. Muita gente não vai se lembrar, mas para se reeleger governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo) chegou a afirmar por diversas vezes em 2022, que Minas estava nos trilhos de novo. O hoje mostra um cenário totalmente diferente. Parece que o trilho desandou, descarrilhou de novo. A situação da segurança pública do Estado é grave, é preocupante. Quando um secretário chega a responsabilizar um governo que saiu do poder há quase oito anos, e transfere para o Governo do Estado a obrigação de investir no básico, é porque a situação está bem mais caótica do que o povo vê por aí. É como já foi dito aqui neste espaço diversas vezes: uma hora a conta chega. Podem maquiar, podem tentar se iludir, mas mais cedo ou mais tarde, a conta chega. Seja para a população, ou para os governantes. A vida real cobra, e quando ela cobra, o preço é alto, é salgado.
Os mineiros viram o caos instalado nas principais ruas do Centro, e dos bairros Santo Agostinho e Barreiro serem tomados por servidores brigando pelo mínimo, pelo básico. Mas, além daquilo, o que estava por trás dos protestos e manifestações era a certeza do amadorismo, e da incapacidade dos governantes de saírem de um ciclo que assola o Brasil desde a redemocratização. Nada mudou. A única coisa que foi aprimorada ao longo dos anos foi a capacidade dos representantes brasileiros de maquiar o ruim, o resto segue tudo exatamente igual. O trilho descarrilou, e a saída agora é apenas sentar e esperar, pelo pior, infelizmente, pois a vida real está cobrando, e nada é tão ruim que não possa piorar.
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