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Editorial

O real e o ilusório 

O real e o ilusório 

A humanidade foi tomada nos últimos anos por um movimento chamado “cultura do espetáculo”. Pode-se dizer que o “boom” das redes sociais, de 2015 para cá, é o fator determinante para que grande parte dos seres humanos preferisse o ilusório ao real. Além de provocar mudanças significativas no comportamento das pessoas, essa movimentação trouxe um impacto significativo no coletivo, na política e na criação de políticas públicas. Atentos às alterações de atitudes da população, os políticos, claro, trataram de se adaptar ao novo estilo de comunicação e se tornaram especialistas no assunto. Com suas equipes, seus assessores, suas poses, celulares de última geração, seus discursos decorados, e seus movimentos milimetricamente calculados, seguem iludindo o povo, até mais do que era feito nos anos 90, e início dos anos 2000. A situação da segurança pública de Minas Gerais é a prova perfeita de que mais vale um marketing bem feito, do que a realidade gritando em sua porta dia após dia. O governador do Estado, Romeu Zema (Novo) é “dono” de utilizar a internet para propagar o quanto Minas cresceu, desenvolveu, e está “nos trilhos”, nos últimos anos, mesmo quando a realidade é outra. Após enfrentar dias de protesto dos servidores públicos, que estão insatisfeitos com as condições de trabalho e a falta de reajuste salarial, mais uma denúncia vem à tona. 

Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, um vereador da cidade denunciou o sucateamento das viaturas da Polícia Militar, e situações que ultrapassam o absurdo. Segundo o parlamentar, os veículos locados com dinheiro público estão parados nos pátios das companhias, sem uso, pois faltam policiais, estrutura e combustível. Revela ainda que a Polícia Civil de uma das cidades mais desenvolvidas de Minas Gerais, está abastecendo diesel em Araguari, e diversas viaturas da PM ficam paradas nas avenidas para economizar combustível. Essas denúncias se juntam a muitas outras que aparecem pelo Estado, e mostram que apesar de o marketing ser bom, de a equipe ser de “primeira”, e o discurso está ensaiado, na ponta da língua, não se tem para onde correr. Mais cedo ou mais tarde, a realidade bate à porta e cobra, e desta vez, promete ser caro. Não há rede social, não há narrativa capaz de mudar o real quando ele chega e grita. Os índices de criminalidade crescem a cada dia. Por mais que a população queira viver no ilusório, já não é mais possível. Até mesmo a “sensação” de segurança deu adeus, e o medo cresce junto com a falta de investimento, com o sucateamento das forças armadas. A verdade é que o ilusório criado pelos governantes não dá conta de um minuto de realidade quando esta chega. 

Servidores insatisfeitos, paralisações, greves, sucateamento, falta de investimento e infraestrutura. Este é o cenário da segurança pública do Estado. Mas, se para o governador, e para parte da população o que vale é o post dizendo que “Minas está nos trilhos”, não cabe outra pergunta, senão: quais trilhos? Os abandonados há anos?. É como dizem, “contra fatos não há argumentos”. Não tem rede social que maqueie o caos. Ele está bem ali, debaixo dos olhos, basta querer enxergar.

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