Pelo básico

O ano era 2022, e as eleições tomavam conta do Brasil. Na época, claro, o que não faltava por aqui eram promessas. Promessa de melhorar saúde, educação, infraestrutura, assistência social, manter o salário do funcionalismo público em dia, e especificamente em Minas Gerais, o candidato Romeu Zema (Novo), chegou a prometer reajustes salariais anuais suficientes para recompor perdas inflacionárias. Obviamente as promessas fizeram efeito. Mas, bastaram os 6.094.136 milhões de votos, ou os 56,18% de votos válidos, para que tudo mudasse do dia para a noite. Ou melhor, em apenas um segundo. Já no dia 3 de outubro de 2022 as promessas caíram no esquecimento, e tudo voltou ao normal. Nem mesmo o plano de governo apresentado ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) durante período eleitoral, onde chefe do Executivo prometeu reajustes anuais "para recompor as perdas ocasionadas pela inflação", foi capaz de fazer com que Zema cumprisse o prometido. O que chama a atenção é que na contramão das promessas do candidato, após os 56,18% o que não faltou tempo e orçamento para um reajuste generoso – de 300% — em seu próprio salário, e do alto escalão do governo.
Hoje, 6.094.136 milhões de votos, os servidores mais uma vez estão na luta, e tendo que engolir goela abaixo não apenas os 300% concedidos em 2023, mas também o descaso, então a luta segue! Em 2024, o governador não teve pena ao enviar para a Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) o projeto de lei de recomposição salarial que previa um reajuste de 3,62%, que sequer cobria os 4,62% do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) acumulado em 2023. Alguns meses de negociação, paralisações, e protestos, enfim Zema cumpriu com a sua obrigação. Sim! Apesar de ser “demonizado” por parte da população, a verdade é que os servidores públicos já não recebem ganho real há décadas, e estão com seus salários defasados. Diferente da iniciativa privada, que concede o reajuste assim que o salário mínimo é corrigido anualmente, do “lado de lá do balcão” a luta é grande para ter o mínimo e para fazer com que os governantes cumpram a lei, cumpram a Constituição Federal, o básico.
Hoje, pouco mais de dois anos depois das eleições, a situação é a mesma de todos os anos. Servidores da segurança pública ameaçam cruzar os braços às vésperas do Carnaval na luta pelo básico, e provam com este movimento que o país definitivamente não saiu do lugar. Tudo segue andando em círculos. Afinal, se o Brasil tivesse crescido nem que fosse um pouco, hoje os servidores públicos estaduais não estariam em busca de recomposição salarial, que não passa da simples ação de repor aos trabalhadores o básico, a inflação, ou seja, o que “perdido” no ano anterior. A prova de que o país segue estático, no mesmo lugar, é o fato de entrar ano, passar ano, os brasileiros enfrentam as mesmas situações, e tudo segue no campo das promessas, longe das ações, distante cada vez mais da realidade. A luta pelo básico escancara dia após dia que por aqui, entra governante, sai governante e o país não cresce, não evolui. A mesma luta todos os dias é a prova que o Brasil segue exatamente no mesmo lugar.
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