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Editorial

“Síndrome do vitimismo”

“Síndrome do vitimismo”

As chuvas  se intensificam e os mesmos pontos da cidade começaram a alagar. Como já esperado todos os anos, Corpo de Bombeiros, Prefeitura e Defesa Civil estão a postos, pois o cenário é o mesmo, entra ano e sai ano. A conta chegou. Sim! É como dizem, “quem planta, colhe”. E, por aqui não é diferente. Se todos os anos os problemas são os mesmos, e absolutamente nada mudou, é porque o povo está plantando a mesma semente, entra ano e sai ano. Claro, que mais absurdo do que plantar a mesma semente, bem amarga diga-se de passagem, é se acostumar com isso, e seguir a vida como se fosse normal. Não só em Divinópolis, mas em milhares de cidades no Brasil o problema das enchentes, das enxurradas, está a “todo vapor” neste período. Algumas famílias estão desabrigadas, outras seguem no mesmo lugar, porém correndo risco, isso sem falar naqueles que pagam com a vida a falta de planejamento urbano e infraestrutura. A conta não só chega, como chegou. Mas, o que muita gente segue tentando negar é que esta “conta”, na verdade, é o resultado das urnas. É o resultado das escolhas feitas pelo povo eleição após eleição. A conta tem chegado cada vez mais salgada, e pior do que isso é o povo se contentar, e aceitar inerte, que absolutamente nada é feito para mudar este cenário. Há apenas a aceitação. Mais nada! 

No momento em que você lê este texto, uma família tem que deixar a sua casa por causa das enchentes. Mas, a verdade é que por trás disso, essa família deixou sua casa por causa da falta de políticas públicas voltadas para a infraestrutura urbana. No momento que um órgão tem que dar uma declaração de vítimas atingidas pelas chuvas, ele na verdade está expondo o que todo mundo vê, mas não quer admitir. Este órgão, em outras palavras, está dizendo: isso só está acontecendo pela incompetência dos governantes de trabalhar afinco para que este cenário mude. Revoltante. Desolador. O Brasil de fato não tem muito jeito. Afinal, pior do que viver esta situação todos os anos, é aceitar sua continuidade. Em silêncio. Sem cobranças. Se contentando com o caos, com a angústia, e depois os atos de caridade, as milhares de campanhas, e as doações. Sem sombra de dúvidas o brasileiro tem a “síndrome do vitimismo”. Sem conseguir encarar que é o causador de seus próprios problemas o povo segue se contentando com cenários angustiantes, e apenas se iludindo. Pagando uma conta cara, mas querendo apenas reclamar e se contentar com o pouco que os seus governantes fazem e trabalham. 

A conta chegou, mas do lado de cá tudo parece estar certo. Afinal, admitir para si mesmo que fez escolhas que não deram resultados positivos é doloroso demais. O caminho então é apenas a aceitação. As campanhas de doações valem mais do que a cobrança por melhorias e políticas públicas que garantam um cenário diferente no próximo ano. A “síndrome do vitimismo” é mais confortável do que entender que para mudar é preciso um movimento do tal “poder que emana do povo”. Mas, é como já foi dito, se não se sabe para qual caminho se vai, qualquer um serve. Então, o jeito por aqui é juntar as malas, ano após ano, sentar e ver os pontos de alagamentos, os mesmos, ano após ano, pois tudo seguirá exatamente como está. Sem grandes mudanças, e com uma conta bem salgada.

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