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Editorial

Protesto dos brasileiros 

Protesto dos brasileiros 

As Eleições 2024 tiveram um vencedor de fato: as abstenções.  Especialmente o segundo turno foi marcado por este movimento que preocupa e muito:  o alto número de abstenções. No Brasil, quase 10 milhões de eleitores não compareceram às urnas no último domingo. Isso reflete a mais pura descrença na política. Belo Horizonte, por exemplo, bateu o recorde. Teve 636.752 (31,95%) de abstenção. O número é o maior desde 1998, início da série histórica do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O fenômeno, claro, não pode ser interpretado de outra forma, senão como um protesto dos brasileiros, em especial aqueles que que não comungam com essa disputa ridícula de direita e esquerda. Em Divinópolis, o cenário não foi muito diferente. Neste ano, a abstenção foi de 40.660 eleitores, ou seja, 23,68% do eleitorado apto. O movimento aumenta a cada eleição na cidade e acompanha o cenário nacional. Em 2016 o percentual foi de 14,22%. O número passou para 22,95% em 2020 e para 23,68% neste ano.

 Falta de confiança. Protesto. Descrença. Qualquer um desses termos podem ser utilizados para definir este cenário. Porém, a abstenção é preocupante. Afinal, quanto mais ela cresce, mais o Brasil terá governantes que foram escolhidos por poucos. Os eleitos, além de mostrar suas habilidades para solucionar os problemas das cidades, terão que “suar a camisa” para reconquistar a confiança do eleitorado. Pois, pelo menos por aqui, esses mais de 40 mil votos fariam uma grande diferença nas urnas. O sinal vermelho está ligado! Mesmo que o cenário melhorou desde 2016, época em que uma onda de eleições de outsiders tomou conta, ainda  há uma significativa falta de confiança nas instituições políticas. 

O fato é que a política brasileira realmente deixa qualquer um descrente. Não há fé que resista a tantos escândalos e poucos avanços ou que aguente essa ‘falação e pouca ação’. São muitos problemas e pouca solução. Porém, se abster não é o melhor caminho. Protestar nas urnas e deixar de votar não ajuda a resolver os desafios do Brasil. Deixar que poucos escolham os governantes, definitivamente não é a melhor saída. A descrença na política é justificável. Por aqui não existem motivos para comemorar, e muito menos para se orgulhar. O trabalho dos governantes será árduo. Tanto para apresentar soluções, e trazer para a realidade o lindo mundo que eles pintam nas redes sociais, quanto para fazer com que o povo volte a acreditar na política brasileira. Sem fé em seus representantes, cabe a parte do povo apenas esperar para ver se de fato os votos dados nas urnas valerão a pena. Caso os governantes insistam em trabalhar em causa própria, a tendência é piorar, e com isso, a fé nos dias melhores se apagar. O desafio está aí, basta saber se os eleitos conseguirão reverter este cenário preocupante.

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