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Editorial

Omissão?

Omissão?

O tarifaço de 50% imposto pelo governo dos Estados Unidos às exportações brasileiras expõe, mais uma vez, a letargia do governo federal diante de crises que exigem ação imediata. Enquanto o prejuízo se aproxima e milhares de famílias temem o impacto, a ausência de medidas concretas agravam a insegurança no setor produtivo.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) discute os últimos detalhes de um plano de contingência para socorrer os setores afetados. A expectativa é que, nos próximos dias, uma Medida Provisória seja enviada ao Congresso Nacional. No entanto, a morosidade política pode fazer com que os efeitos práticos cheguem tarde demais para muitos empreendedores e trabalhadores.

Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a prioridade será contemplar as empresas que mais exportam para o mercado americano, com atenção especial aos pequenos produtores. Embora seja um passo necessário, a resposta não pode se restringir a medidas paliativas. É imperativo que o governo federal atue estrategicamente, negociando com o governo americano e, simultaneamente, abrindo portas para novos mercados. A diversificação das exportações é um caminho não apenas para mitigar danos, mas para reduzir a dependência de um único parceiro comercial.

Enquanto isso, produtores, especialmente os pequenos, encaram contratos suspensos, pedidos cancelados e um horizonte de incerteza. É preciso ir além: pressionar diplomaticamente o governo americano, acionar organismos internacionais e, principalmente, diversificar destinos de exportação. O Brasil não pode se ajoelhar diante de um único mercado e aceitar passivamente as condições impostas.

A omissão não é apenas do Executivo. O Congresso Nacional, que adora se mobilizar para votações relâmpago quando o assunto é reajuste de verbas e privilégios, mostra-se apático quando se trata de defender quem produz. Senadores e deputados têm a obrigação de agir, e rápido, para que a economia não mergulhe numa nova crise.

A pandemia já mostrou que a demora mata empresas, empregos e sonhos. Repetir o mesmo erro agora será imperdoável. O governo federal precisa parar de assistir de camarote e entrar em campo com coragem, estratégia e determinação. Cada dia perdido é mais um dia em que o Brasil sangra — e quem paga essa conta é o trabalhador.

A história recente já mostrou, como na pandemia, que a falta de ação rápida custa caro — em empregos, renda e estabilidade econômica. Os impactos dessa tarifa podem gerar um efeito dominó sobre cadeias produtivas inteiras, atingindo desde a indústria até o pequeno agricultor.

Cabe também ao Congresso Nacional — senadores e deputados federais — exercer seu papel, não como espectadores, mas como agentes ativos na defesa dos trabalhadores brasileiros. A omissão legislativa, diante de um problema dessa magnitude, seria tão grave quanto a demora do Executivo.

O momento exige mais do que discursos: requer articulação diplomática firme, medidas emergenciais eficientes e visão de longo prazo. Cada dia de inércia é um dia a mais de prejuízo para o país e as milhares de famílias que dependem das exportações.

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