Sem empatia

Há poucas coisas mais confortáveis do que criticar algo. São mínimos os comentários e as ações realmente construtivas e dialéticas. Os maus exemplos estão por todos os lados, basta ler qualquer publicação na internet. Muitos estão interessados apenas em disseminar ódio. Em um dos casos mais recentes, os comentários sobre a viagem da vice-prefeita Janete Aparecida (Avante) a Israel, para participar de cursos voltados a tecnologias e segurança pública. Apenas para citar um: "bem que poderia os dois estarem fazendo o tal curso lá, entrar um homem bomba na sala e explodir ambos para queimarem no fogo do inferno".
Ora, concordar ou discordar sobre uma decisão política é totalmente factível dentro do sistema democrático. No entanto, comentários como o acima, caminham em sentido contrário. Qualquer relação humana deve ser pautada pelo respeito e o diálogo. Desejar a morte de outro ser humano é perder o restante da empatia, da qual o mundo já está demasiadamente carente.
A situação não é isolada e escancara o clima que tem infectado as redes sociais, especialmente na política. Publicações cada vez mais agressivas, sanguinárias e recheadas de ódio, ignorando que, do outro lado da tela, existe uma pessoa, com pais, filhos, irmãos, e outros familiares que, muito provavelmente, também vão ler tais mensagens.
O cenário é ainda pior quando olhamos para as mulheres na política. Neste ano, por exemplo, a Justiça condenou a 12 anos e 9 meses de prisão, o homem acusado de ameaçar estuprar e matar deputadas mineiras, incluindo Lohanna França (PV). Reforçando, assim, que os ataques dessa natureza têm se tornado comuns, independente de posicionamento ideológico ou partidário.
Em alinhamento ao assunto, a discussão sobre a regulamentação das redes. Comentários ofensivos, que atacam a pessoa e não a qualidade de seu trabalho, precisam ser duramente punidos. O anonimato das redes não pode servir de escudo para blindar discursos de ódio, como se o mundo digital fosse uma realidade alternativa.
A capacidade de ter empatia é se colocar no lugar do outro e se sensibilizar com seu sofrimento se esvaíram. Mas, é preciso lembrar, que o mundo é composto por diferentes perspectivas. Ninguém é obrigado a gostar de político X ou Y, todos são passíveis de críticas, porém, não é possível tolerar tamanho ódio direcionado às pessoas. É preciso ações efetivas, com punições aos responsáveis.
A verdade é apenas uma: a política está deixando todos doentes. Parecem não conseguir conviver sem criar intriga ou levar o debate para o lado pessoal. Tudo vira polêmica e ataque. Um mundo binário, onde existem apenas opostos, e qualquer posicionamento contrário é visto como crítica.
E, neste mundo contaminado pelo ódio e a ignorância, cada vez mais cresce a nostalgia de um mundo menos virtual e mais conectado humanamente.
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