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Editorial

Favoritos e azarões

Favoritos e azarões

Semana após semana, pesquisas eleitorais são publicadas atualizando as intenções de votos para as eleições de 2026. Mesmo ainda faltando pouco mais de um ano para o próximo pleito, os números transbordam pelas manchetes, apontando os ‘favoritos’ e os ‘azarões’. Mas quem acompanha política sabe que muita coisa pode acontecer nesse período.

Tomemos a capital Belo Horizonte como exemplo. Em um dia, o então vice-prefeito Álvaro Damião (União) foi empossado prefeito e o secretário de Educação foi alvo de uma operação da Polícia Federal (PF), tendo pedido exoneração do cargo. Antes, o sertanejo Gusttavo Lima já havia anunciado e retirado sua pré-candidatura à Presidência. Antes das eleições, não faltam candidatos — e com as mais variadas ambições. Quantos deles vão, de fato, viabilizar sua candidatura? Muitos ficarão pelo caminho, como outros já ficaram em anos anteriores.

As pesquisas eleitorais tão antecipadamente atendem a quase nenhum interesse. Talvez apenas os dos partidos em mapear o cenário ou de eventuais candidatos em colocar o pé na água e sentir a temperatura. Até outubro de 2026, ainda há muito trabalho a ser feito pelos representantes do povo. As demandas na vida pública não param e, aqueles que focam apenas no próximo pleito, não estão interessados nos cidadãos, apenas em sua própria sobrevivência política em um sistema que os acolhe com regalias e privilégios. É a máxima do "quem está dentro, não quer sair; e quem está fora, quer entrar".

Se os políticos são passíveis de críticas por suas ambições interesseiras e egocêntricas, também é válida a reflexão sobre a qualidade do voto. Uma conclusão possível para os levantamentos divulgados até o momento é a convicção do eleitorado. Boa parte dos eleitores já sabe em quem votará no próximo pleito — ao menos para os cargos de maior visibilidade, como presidente e governador. Na mais recente, divulgada ontem pelo Instituto Paraná Pesquisas sobre em Minas Gerais, apenas 4,6% dos ouvidos não sabia ou não respondeu em quem votaria.

Sem qualquer prudência, avaliação crítica ou espera pelo trabalho ainda a ser construído até a eleição seguinte, o cidadão já tem sua certeza formada — seja por crença pessoal, religiosa ou ideológica. O eleitor apenas não sabe o número que irá apertar na urna, visto as articulações para troca de partidos. De resto, decisão tomada. Quando se compromete o voto tão cedo, não está interessado em ver as promessas de campanha serem entregues. Está apenas preso à uma convicção cega. 

Resta aos governantes eleitos, trabalharem para a entrega de resultados positivos à população, visando o bem-estar coletivo — e não a ascensão política. E, cabe aos eleitores, não ficarem apaixonados por ideias e ideologias, mas pela concreta melhoria na qualidade de vida através de projetos e programas públicos eficientes. Sem uma reforma política qualificada, ficaremos assim, soterrados por pesquisas eleitorais, pulando de ano eleitoral para ano eleitoral, com rios de dinheiro despejados nos partidos. E quem ganha com esse caótico cenário é óbvio…

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