Carregando clima…
Editorial

Mayday 

Mayday 

O voo da Air India que caiu ao decolar do aeroporto internacional de Ahmedabad, nesta quinta-feira, 12, emitiu um pedido de socorro, também chamado de Mayday, ao Controle de Tráfego Aéreo logo após a decolagem, segundo a Diretoria Geral de Aviação Civil da Índia. O avião caiu em um hotel de hospedagem de médicos, fora do aeroporto da cidade, segundo autoridades. De 242 pessoas a bordo, 217 eram adultos e 11 crianças. A análises preliminares apontam que uma falha na propulsão pode ter causado a queda da aeronave, mas ainda é cedo para criar qualquer cenário. Porém, essa queda vai de encontro a um questionamento feito constatemente na atualidade: quanto vale uma vida? Pouco antes de cair, o avião emitiu o pedido “Mayday”, ou seja, socorro. Vidas, sorrisos, risadas, futuros, planos, sonhos, pessoas, amores de alguém, reduzidos a “pertences pessoais em uma caixa”. Enquanto você lê essas linhas, corações estão dilacerados, pois essa foi a viagem que não teve os olhares ansiosos do outro lado no portão de desembarque. Essa foi a viagem que infelizmente teve o pior destino: a morte. É impossível ver a dor dos amigos e familiares das vítimas e não se comover, e não persistir no questionamento: quanto vale uma vida?

Para especialistas, dificilmente o acidente foi provocado por alguma falha de manutenção da aeronave, uma vez que a companhia aérea faz parte de um grupo de empresas que exige um rigoroso controle. Preliminarmente, tudo indica que uma soma de fatores levou a esta queda. Porém, hoje, famílias não têm mais a resposta daquela pessoa do outro lado do celular, não têm mais aquela chamada, aquele “oi”, aquela risada, aquele sorriso. Os planos, os sonhos, os recomeços se foram. Em segundos. Em instantes. A chamada não existirá mais. O “alô” com aquela voz amada, cessou para sempre. Tudo foi levado de um momento para o outro. Tudoo acabou e não voltará mais. O tempo não volta. O que mais uma vez é dúvida: essa tragédiapoderia ter sido evitada? Onde a aeronáutica está falhando? Famílias, neste instante, estão vendo seus entes queridos serem recolhidos em caixas, e estão sendo sentenciadas a conviver com este trauma, com esta dor que não acabará nunca mais. E, para o resto da humanidade, a pergunta: este acidente poderia ter sido evitado? 

Ao fim de tudo isso, a conclusão das investigações serão divulgadas, um relatório será lido, e pessoas continuarão suas vidas normalmente. As causas serão apontadas. Mais de 240 pessoas serão uma estatística, e a roda da vida continuará girando. Porém, esta dúvida seguirá a cada nova queda, a cada nova falha, que ceifar centenas de vidas. A cada mayday, a cada pedido de socorro. Quanto vale uma vida? As mudanças climáticas estão impactando nos acidentes aéreos, e isso já está comprovado. Mais uma vez a Terceira Lei de Netwon se faz presente: paratoda ação uma reação. O contexto leva a apenas um caminho: quem está pedindo Mayday é a própria humanidade, que já começa a enfrentar as consequências de seus atos, mas ainda sem se dar conta disso. Que venham os dados, os relatórios e as estatísticas, mas a verdade está posta, só não vê quem não quer. Enxergar não é tão difícil.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…