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Editorial

‘Chover no molhado’ 

‘Chover no molhado’ 

A campanha de conscientização sobre os sinais, sintomas e prevenção ao câncer de mama denominada “Outubro Rosa” acabou, e agora entra no radar, o movimento “Novembro Azul”, que tem como objetivo alertar para a importância do diagnóstico precoce do câncer de próstata, o mais frequente entre os homens brasileiros depois do de pele. Ambas ações são de extrema importância para levar informação à população sobre os riscos da doença, e claro, alertar para a realização dos exames, e do diagnóstico precoce. Porém, o que chama a atenção é como a coisa funciona na prática no Brasil. Em Divinópolis, por exemplo, não faltaram palestras, ações, vídeos, e movimentos de conscientização sobre o câncer de mama em outubro. A cidade se coloriu de rosa, as empresas aderiram ao movimento, foram às ruas, distribuíram panfletos e brindes. O empenho da sociedade, de fato, não faltou. Novembro chegou, e com ele o “Novembro Azul” começa a ter o mesmo “ritmo” do “Outubro Rosa”, só que há um porém: a diferença do que está na teoria e na prática. 

De que adianta tanta conscientização quando na prática há uma fila enorme de mulheres esperando para realizar uma mamografia? De que adianta todos se vestirem de rosa, espalhar lacinhos, folders explicativos, quando na prática as mulheres encontram dificuldades até mesmo para marcar um médico no posto de saúde para “ler” os seus exames? De que adianta um movimento ganhar força, quando na prática há diversas Unidades Básicas de Saúde (UBS’s) sem médicos? Os prédios governamentais podem se “vestir de rosa”, podem se vestir de azul, mas nada disso adianta quando a população não tem o acesso adequado às políticas públicas que garantam tudo isso que é ensinado nas palestras, nos panfletos, nos folders. Afinal, de nada adianta uma mulher fazer o autoexame, se cuidar, quando ela chega lá na ponta, na hora da mamografia, ter que esperar por meses, e até mesmo anos para realizar. De nada adianta um homem se atentar à saúde, se quando ele for realizar o exame de próstata, ele encontrar dificuldades para ter uma consulta com o médico especialista pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Tudo isso não passa do bom e velho “chover no molhado”. 

As campanhas são lindas, e nesse quesito a sociedade civil dá um verdadeiro show. Porém, do outro lado desta linha há falhas gritantes dos governos, que fazem com que essa conta literalmente não feche. Todos os alertas, toda a conscientização, é bem-vinda e devem ser feitas todos os dias. Mas, é primordial que do outro lado desta linha o sistema funcione. É necessário que do outro lado de tanto empenho a população tenha acesso a serviços de diagnósticos e a tratamentos adequados. Senão, tudo é em vão, é apenas “chover no molhado”. Cada movimento, cada campanha, cada alerta é mais do que válido e necessário, mas para que tudo isso funcione e traga resultados é preciso que os governos façam o dever de casa, para não ser apenas mais um capítulo do já conhecido “chover no molhado”. Do fala muito e faz pouco.

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