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Editorial

Para não esquecer 

Para não esquecer 

O dia mal tinha começado, muita gente mal tinha levantado da cama, e sequer imaginava que aquele 11 de março de 2020 entraria para a história da humanidade. Naquele dia o mundo parava quando a Organização Mundial de Saúde (OMS) declarava oficial a Covid-19 uma pandemia. O medo, a incerteza e o caos tomavam conta. Um vírus altamente mortal trazia o terror. Sobrava pânico e faltava ar para os contaminados. Governantes perdidos, sem saber o que fazer e como agir, e ainda lidando com fake news por todos os lados. Enquanto pessoas morriam, e eram contaminadas, a humanidade seguia sem resposta do que sobraria daquele cenário de horror. Cinco anos se passaram, mas a pandemia do coronavírus deixou lembranças e marcas profundas em todos. Isolamento. Falência. Internações. Falta de leitos. Mais e mais pessoas contaminadas. Falta de profissionais. Falta de medicamentos. Sem sombra de dúvidas a humanidade enfrentava o seu pior pesadelo. Em abril de 2021, o advogado Luiz André Pereira recebeu o diagnóstico que ninguém queria naquele momento, estava com covid-19. Ele e a família estavam respeitando o lockdown, mesmo sem qualquer comorbidade, ele precisou de internação. Foram 38 dias de UTI, duas intubações, traqueostomia, além de paradas cardíacas. Ele deixou o hospital com 30 kg a menos e sequelas que sente até hoje.  

Histórias como a de Luiz estão espalhadas pelo mundo. Só no Brasil foram 39.210.405 de casos confirmados, desses 715.295 se tornaram óbitos. Famílias espalhadas pelo mundo ainda lidam com a dor da perda, com as consequências que a Covid-19 deixou. Foi só depois da vacinação, iniciada em janeiro de 2021, que o cenário se controlou, e aos poucos a humanidade, ou melhor, os sobreviventes puderam voltar a vida ao normal. Hoje, cinco anos depois do começo do terror, ainda é possível fechar os olhos e sentir o pânico tomando conta de cada parte do corpo ao ver o noticiário, ao sentir o desespero de precisar se manter e não poder trabalhar, e se arriscar para ganhar o pão de cada, tendo ainda que sobreviver ao caos diário que o coronavírus impôs. Na época acreditou-se que os seres humanos saíram “daquela” mais humanos. Afinal, o toque, o beijo, o abraço eram proibidos. Os encontros familiares. As despedidas daquele tempo eram à distância. Muitos não puderam sequer se despedir dos seus, que lhes foram tirados de forma abrupta. Filhos ficaram sem mães. Mães ficaram sem filhos. E, foi justamente por tanta dor, que acreditou-se por um instante que a humanidade aprenderia uma grande lição sobre amor ao próximo. 

A verdade é que isso não passou de um grande engano. Cinco anos depois tudo segue exatamente igual. A humanidade cada vez mais individualista, mais distante do amor. E, não há sequer uma pequena luz neste túnel escuro. Não há sequer uma ponta de esperança que este cenário mude. A Covid-19 controlou, e tudo voltou a ser exatamente como era antes. Mas, apesar de o tempo seguir girando, as lembranças do coronavírus seguem ali, aqui, acolá, para a humanidade não esquecer que o caos existe, e muitas vezes ele é plantado com as próprias mãos.

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