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Editorial

Por fora…

Por fora…

Por fora bela viola, por dentro pão bolorento… Assim é Minas Gerais. Nas redes sociais o trem está nos trilhos, no dia a dia, na realidade, onde a vida acontece no mais puro e absoluto caos. Não é possível sequer elencar qual área está pior: saúde, educação, segurança pública, assistência social, ou as demais. Todas estão de mal a pior. Quem passa em frente à Cidade Administrativa, em Belo Horizonte, se depara com uma enorme propaganda do governo do Estado se enaltecendo pela exportação do agro, que bateu um recorde de R$ 100 bilhões, superando a mineração pela primeira vez na história. Por fora, bela viola, mas por dentro… O que se tem não é o melhor dos contextos. Uma dívida que ultrapassa R$ 168 bilhões com a União, que autoriza inclusive, o Poder Executivo a transferir para o governo federal imóveis de propriedade do Estado, bem como de suas autarquias e fundações públicas, com o fim de amortizar parte da dívida do Estado com a União, que aumentou nos últimos anos. Muito além de um debate político de difícil entendimento para boa parte da população, a verdade é que Minas está longe de estar nos trilhos, e quem já está pagando essa conta é a população. 

Os problemas passam nas mais diversas esferas dentro, a começar pelo básico, valorização e investimento nas áreas. Afinal, essa é apenas mais uma conta do marketing que não fecha. Não é possível estar nos trilhos, quando cortes são anunciados a todo tempo em nome de “manter o equilíbrio das contas”. Não tem como evoluir, quando não se consegue investir em áreas primordiais, e a população fica à própria sorte. O exemplo mais claro e clássico disso é a situação da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG). Sucateada, desvalorizada, lutando pelo básico todos os anos. E, nem mesmo a pior das realidades é capaz de fazer com que o governador, Romeu Zema (Novo), que tem o terceiro maior salário de governadores do Brasil – perdendo apenas para Fábio Mitidieri (PSD) de Sergipe e Gladson Camelí (PP) do Acre – recue, olhe para a realidade, e aponte soluções, com o cenário que se tem hoje. Em um total show de hipocrisia, Zema diz que pretende adotar medidas tomadas por El Salvador na área de segurança pública em Minas Gerais, após a viagem feita ao país na última semana. E, é aí que vêm as perguntas: Mas, antes disso, vai conceder recomposição sem que os servidores precisem ir para as ruas lutar por seus direitos? Vai ter investimento, nos veículos, aumentar o pessoal da segurança pública? Vai fazer o básico que qualquer leigo vê a olho nu que precisa ser feito? 

Para ser bela viola, não é necessário ir longe, basta fazer o mínimo, o básico, como dizem por aí, o simples que funciona. Não é necessário gastar mais verba pública apenas para se criar a sensação de que algo vai ser feito, quando todos sabem que não passa do bom e velho marketing, e que por dentro o pão é bolorento. Só uma dose de realidade, de vida real, de roubos e assassinatos no Estado já são suficientes para que talvez algo comece a ser feito para que todo este contexto mude, e enfim, Minas, quem sabe, volte para os trilhos…

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