Errou feio

Quanto vale uma vida? Essa talvez seja a pergunta de milhões dos tempos atuais. Vale um carro popular? Um maço de cigarros? Um celular? A alegria? Em tempos de sociedade do espetáculo, quando o povo se contenta com o pouco, com o raso, a verdade – que ninguém quer ouvir – é que uma vida tem valido cada vez menos. O caso da adolescente de 14 anos, morta por um colega de sala, também de 14 anos, em Uberaba, no dia 8 deste mês, escancarou o quanto a humanidade vem falhando, mas ainda insiste em fechar os olhos para isso. “Linda menina, de sorriso doce e transbordante de alegria. Foi luz, foi leveza, foi amiga em seus dias aqui”. Assim é definida Melissa Campos. A menina que teve a vida ceifada por inveja. Segundo o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) o crime, premeditado, ocorreu pelo simples fato de Melissa ser alegre e extrovertida. Algo, que, segundo o menor suspeito de matar a jovem, não possuía. Apesar de saber que este vai ser apenas mais um entre tantos outros que se “enfileiram” Brasil afora, o fato é que a humanidade falhou, segue falhando, e está com os olhos totalmente fechados para isso.
Entre discussões que não dão absolutamente em nada, e uma falsa revolta, crimes como esse aumentam um pouco a cada dia, e comprovam que o caminho trilhado não tem levado a bons lugares. Por mais que tentem maquiar, vira e mexe, a verdade é desnudada. Inocentes pagam com suas vidas pelas falhas da humanidade. Melissa, a menina de sorriso doce e transbordante de alegria, que tinha toda uma vida pela frente, hoje é apenas uma estatística. Seus sonhos, seu sorriso doce, sua alegria transbordante foram interrompidos por uma sociedade que falha, mas prefere não enxergar. Sua vida foi ceifada por uma humanidade totalmente perdida, mas prefere se cercar de moralismo e hipocrisia, e acreditar que apesar de alguns percalços, melhora, evolui, e dará certo. Se não deu certo agora, uma hora vai! Erros, erros e mais erros. Discursos raivosos por todos os lados. Na internet, nas rodas de conversa, alimenta cada dia mais essa cultura de ignorância, de violência doentia. Quem disse a anos atrás que iria melhorar com o passar dos anos, errou absurdamente. O que era ruim ficou pior. O povo se acostumou a se contentar com o raso, com erros, e com falhas.
Uma vida por aqui não anda valendo muita coisa. A verdade, dolorida, nua e crua é essa. A cada dia, ao se levantar da cama, a sorte é lançada. Ninguém está seguro, pois os valores estão cada vez mais fúteis e frágeis. Não existem avanços. Há apenas retrocessos. A vida, a cada dia, vale menos. Melissa não sorri, não encanta em sua casa, não faz mais planos, não tem mais sonhos. Morreu, vítima de uma sociedade doente que vem invertendo pouco a pouco os valores morais que moldam um ser humano. A alegria da adolescente foi assassinada não por um da sua idade, mas por um sistema frágil, fraco, que falha e faz mais vítimas todos os dias. A vida de fato não tem valido muito. E, a cada amanhecer, por mais difícil que seja, cabe a cada um apenas desejar sorte, pois a humanidade segue falhando. O que era ruim conseguiu ficar pior.
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