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Editorial

O que importa?

O que importa?

O Brasil, ou melhor dizendo, o mundo foi tomado por uma onda autointitulada de “conservadorismo”, que além de crescente, traz a preocupação de onde isso pode chegar. Ainda não é claro que está por trás de tudo isso, quais os interesses em “defesa da família”, mas algo é certo: tem muita gente se aproveitando de tanto medo, de tanta ignorância que é repassada por essa “onda”, e muita gente sendo vítima de tudo, incluindo meninas. Como já era previsto, Divinópolis, obviamente não escapou desse “movimento”, que conseguiu chegar à política local, e de legislatura em legislatura planta sementes de “conservadorismo” por todos os lados. Do outro lado do sensacionalismo, e da “preocupação” deste grupo há um fato interessante e preocupante a ser comentado. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2024, que retrata os casos de violência ocorridos do ano de 2022 para 2023 mostrou que houve um crescimento de 30% nos registros criminais não letais – como abandono de incapaz, abandono material, maus-tratos, lesão corporal, pornografia infanto-juvenil, exploração sexual infantil e estupro –, contra crianças e adolescentes. 

A maioria das violências foram perpetradas por aqueles que têm o dever primário de cuidar, sustentar e educar as próprias famílias. O que chama a atenção é o fato de políticos locais fecharem os olhos para isso, e se voltarem para o irreal, para a criação de problemas inexistentes, quando algo desta magnitude bate  na porta dos governantes todos os dias em busca de criação de políticas públicas. A educação, claro, é uma ferramenta de empoderamento, pois favorece que crianças e adolescentes se reconheçam como sujeitos de direitos, saibam reivindicá-los e ao mesmo tempo tornam-se menos vulneráveis à violência e, futuramente, cidadãos mais críticos e engajados. Porém, é nesta onda de “conservadorismo” que tudo isso se perde, e abre mais espaço para que este crime aumente no país. E, é diante deste cenário que é impossível não se questionar: o que de fato importa? Pois, além disso, a educação, quando incentiva atitudes de respeito, empatia e não violência, promove mudanças de comportamento. Ao serem ensinadas sobre os benefícios da cooperação e as consequências da violação de direitos, as crianças passam a ser mais protagonistas e conscientes na construção e manutenção de relacionamentos saudáveis.

Mas, por aqui não. Estão preocupados com problemas que sequer existem, quando um desta magnitude necessita de solução, e não irá se resolver sozinho. Quando escolas e famílias necessitam constituir como espaços de predição, prevenção e proteção integral, de confiança e trocas de experiência, os governantes estão por aí fazendo seus espetáculos em cima do que irreal, do imaginário, apenas com o objetivo de pregarem seus credos, suas crenças, sua fé, sua opinião. E, é justamente quando se vê os governantes com os olhos fechados para algo tão sério, tão urgente, que questionamos: o que realmente importa?

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