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Augusto Ambrosio Fidelis

Os problemas são os mesmos

Por Bruno
Os problemas são os mesmos

Um amigo meu, que mora em São Paulo, me enviou um vídeo com as queixas de algumas pessoas lamentando que nada mudou na virada do ano. No entanto, o referido vídeo apresenta algumas novidades, como é o caso do lançamento do livro da líder comunitária Edite Maria Manuelina Tarabetina Capitolina de Jesus Amor Divino, com o título: “Como educar seu filho na favela”. Dona Edite explica que seu livro é muito fácil de ler, porque é feito em fascículo: “Este livro que escrevi... na verdade não escrevi nada, sou semianalfabeta, quem escreveu foi a minha filha, mas eu ditei tudinho pra ela”.

Entre as dicas encontradas na obra, então: como esconder uma comida, colocar num lugar mais alto... como amoitar um pãozinho, que serve para o café do dia seguinte... como deixar de colocar açúcar num chá ou acrescentar mais um pouco de farinha para engrossar o feijão. O que motivou Dona Edite a escrever esse livro foi o fato de que, se faz uma comida, os meninos comem tudo no mesmo dia. “Eu não posso proibir meus filhos de comer, então eu tenho de educar! Não é possível eu chegar em casa e não ter o que comer, porque os meninos comemoram tudo. Eu vou matar? Não, gente, eu vou educar”, salienta Dona Edite.

Um dos problemas que a autora enfrenta atualmente, na sua casa, é a filha Nininha, que cismou de comer pasta de dente, de preferência com margarina. “Tem gente que acha que é só comer e não é. Quantas vezes uma dona de casa chega ao supermercado e se sente uma paralítica, uma aleijada, uma leprosa, porque não tem forças pra pegar um produto mais caro, um papel higiênico melhor”, lamenta a autora, para acrescentar: “Quantas vezes a gente tem o desejo de comer um chantilly! Mas como comer chantilly no preço que está o morango?! É por isso que eu clamo: na favela a gente é pobre, é fudido, mas não deixa a peteca cair”, conclui.

Outra que começa o ano com muitas queixas é vovó Arminda. Para ela, o problema é seu filho, que é advogado, casado até há pouco tempo. A mulher lhe enfiou pé na bunda, ele voltou para dentro de casa e está comendo toda a sua aposentadoria. Apesar de formado, não consegue trabalho. Outro dia, vovó saiu de casa para ir ao banco e ninguém lhe cedeu o lugar no ônibus lotado. No estabelecimento bancário, foi atendida por uma japonesa, que disse:

-         A senhora tem de fazer a senha.

-         Que senha?

-         Os números, tem de ter os números!

-         Minha filha, eu nessa idade, que número vou saber botar?

-         Então vá falar com o gerente.

Só sei que vovó Arminda foi ao gerente, mas logo depois esqueceu os números e entrou em conflito com a atendente. Segundo ela, o que tirou do diabo colocou na funcionária. E no final alertou: “japonesa, abre seu olho!” 

augustofidelis1@gmail.com

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