Pão não engorda

Augusto Fidelis
Se usada com bom senso, a internet é uma bênção: aproxima as pessoas de longe, facilita a transmissão de mensagens e documentos, torna o mundo menor. Mas, infelizmente, neste mundo nada é perfeito. Por outro lado, a internet destrói famílias, relacionamentos, dissemina as intrigas e afasta os que estão próximos. Eu, porém, depois que tive acesso a essa ferramenta, fico sabendo de coisas do arco-da-velha.
Nesta semana, via Whatsapp, recebi o vídeo de um desenho que mostra uma mulher esquelética, com cara de Madame Min, munida de um bastão, discursando para os membros de sua tribo. Espantados, mulheres, homens e crianças ouvem atentamente a matriarca na sua dissertação, que ela enfatiza:
- Olha, é cada uma, viu! Não, porque pão engorda; não porque pão é carboidrato; não, porque pão não sei o quê! Minha linda, se não fosse para comer pão, Deus não tinha multiplicado o pão! Deus teria multiplicado couve, cenoura, alface. E que mentira é essa que pão engorda? Você já viu elefante? O elefante só come folha e é tudo gordo! Menina, comer pão é bom demais, é ótimo! Pão com ovo, pão com queijo, pão com salsicha, pão com cafezinho! Menina, pão é vida!
Coincidentemente, na mesma ocasião, recebi uma foto de rapazes dos anos 60, de calças pantalonas, magérrimos, sem nenhum sinal de barriga. Era uma época em que não havia academias, todos comiam pão, banha de porco e doces. Eram raríssimos os casos de câncer. Aliás, essa palavra era proibida. Quando alguém precisava citar tal coisa, dizia: “aquela doença”.
Houve época, aqui em Divinópolis, que era programa obrigatório uma parada na Padaria Divinópolis, para tomar café acompanhado de pão com manteiga na chapa. O que engorda não é o que se come, mas a quantidade. Todo exagero é prejudicial. Existe uma palavra que precisa ser levada em conta em todas as situações da vida: moderação.
O Natal bate à porta e traz consigo todas as delícias desta época. Vou fazer regime no Natal? Não, vou comer com moderação tudo que eu tiver direito. Não preciso comer uma leitoa inteira, mas apenas um peço que não pese o meu estômago; não preciso beber uma garrafa de vinho, mas uma taça. Vou me abster de comer panetone? Nunca, porque panetone só aparece nesta época. Se eu não comer agora, vou ter de esperar o próximo ano. E o próximo ano a Deus pertence.
O Menino Jesus está a caminho. E quando ele chegar, podemos não só oferecer a ele os nossos presentes, mas pedir também. O melhor é pedir paz, porque quem tem paz, tem saúde. Quem tem saúde, mas não tem paz, corre o risco de adoecer pelo desassossego. Então é isso, caro leitor, estimada leitura: desejo-lhe uma Natal de muita paz, pois tudo mais lhe será acrescentado. Boas Festas!augustofidelis1@gmail.com
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