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Augusto Ambrosio Fidelis

Bom Ladrão

Por Bruno
Bom Ladrão

Augusto Fidelis

Contam os evangelistas que Jesus foi crucificado entre dois ladrões: um bom e outro mau. Ladrão é uma pessoa nociva à sociedade, pois, além de surrupiar o alheio, é capaz de espancar e de matar suas vítimas. Em princípio, um ladrão não pode ser chamado de bom. Então, por que o texto sagrado diz, categoricamente, que um dos ladrões era bom? Bem, a explicação está no seu arrependimento, ainda que tardio. Certamente, passou a vida inteira fazendo horrores, mas teve a humildade de se arrepender na hora derradeira.

Recentemente, vi numa rede social que numa cidade do Rio Grande do Sul, Passo Fundo, se não me falha a memória, a figura do bom ladrão foi personificada. Um meliante furtou um carro e, ao perceber que havia uma criança no banco traseiro, ligou para a polícia e denunciou a irresponsabilidade dos pais. Segundo o noticiário, a mãe do bebê e o padrasto se encontravam bebendo num boteco e sequer tomaram conhecimento, até a chegada da polícia, do furto do veículo e do sumiço da criança.

Noutra passagem, o texto sagrado assegura que uma mãe é incapaz de esquecer-se do seu filhinho, mas, ainda que isso aconteça, Deus não o esquecerá. Essa promessa, feita num salmo, é um consolo para os dias atuais, já que a terrível figura da madrasta deixou seu habitat nos livros de contos de fada e se tornou real, mais cruel, porque não se limita a uma maçã envenenada. Numa cidade paulista, uma madrasta foi capaz de esfaquear os enteados, colocar fogo nos corpos, esquartejar e colocá-los na rua para serem  levados pelo caminhão de lixo, tudo isso com a participação do pai das crianças.

Nos últimos dias em que passaram no abrigo, o irmão mais velho escreveu uma redação, na qual falou dos seus sonhos, inclusive o de ter uma vida tranquila e Deus no coração. Fez também um desenho que retratava a família unida, de mãos dadas. Desamparados, a mãe também não os quis, então foram entregues ao pai e à madrasta, para serem mortos. Mas, com certeza, Deus os acolheu perante a sua face e lhes deu a paz tão almejada, porque assim disse Jesus: “Deixai vir a mim as criancinhas”. 

O mais triste em todas essas histórias, envolvendo pais, madrastas ou padrastos, é a negligência das mães. No entanto, se nos dias atuais uma mulher que acaba de dar à luz é capaz de jogar o recém-nascido numa lata de lixo ou dentro de um rio, não teria mesmo a sensibilidade de proteger suas crianças, ameaçadas pela madrasta. E, de tanto ver esses crimes repetidos, a sociedade está perdendo a capacidade de indignação. Crianças, agarrai-vos diretamente na mão de Deus, porque vossos pais já não são os mesmos.   augustofidelis1@gmail.com

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