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Política

População cobra da Prefeitura solução sobre mato

Por Portal Agora
População cobra da Prefeitura solução sobre mato

 

Da Redação

Os divinopolitanos, ao andar pela cidade diariamente, percebem um problema recorrente: o mato cresce na beirada das calçadas ou mesmo no meio ou outras partes das ruas. Os moradores cobram uma solução da Prefeitura, mas ela não consegue atender a demanda. Os funcionários da Secretaria Municipal de Operações Urbana (Semop) realizam diariamente, segundo o Município, o serviço de capina manual na cidade, revezando os locais solicitados. Porém, de acordo com os relatos de moradores, a demanda tem sido grande e o serviço não tem conseguido acompanhar o crescimento dos matos pela cidade.

Na região central é possível o crescimento da vegetação, principalmente nas rachaduras das calçadas e entre o passeio e as ruas. Nos bairros mais afastados, a situação é ainda mais complicada. Em algumas localidades, o mato alto é capaz até mesmo de atrapalhar a visibilidade dos motoristas e ocupar passeios.

Discussão antiga

A discussão para liberar ou não a capina química em Divinópolis não é recente, perdura desde 2010. Naquele ano, no fim de novembro, foi promulgada a lei n° 7266/2010. O texto aprovado extinguia a capina química em toda área urbana da cidade.

— Fica proibida a capina química em áreas de faixa de domínio de ferrovias, ruas, avenidas, passeios e terrenos baldios do Município de Divinópolis — determinava a lei.

Em 2013, a polêmica voltou à tona por duas vezes. Na primeira votação na Câmara, em abril, o projeto foi aprovado pelos vereadores e vetado, na época, pelo prefeito Vladimir Azevedo (PSDB). Vladimir não aprovou o projeto após recomendação feita pelo Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG). Em 2012, o órgão já havia se manifestado, pedindo a Câmara para não aprovar a lei.

— Considerando, ainda, que a  Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afastou a possibilidade de regulamentação da capina química, por considerar, entre outras razões, que essa prática traz riscos de lesões à saúde para um número indeterminado de pessoas, expostas ao agrotóxico sem estarem munidas dos equipamentos de proteção, bem como a necessidade de observância do período mínimo de 24h, após a aplicação do produto, para que a área seja transitável sem riscos de danos à saúde coletiva — afirmava a nota da MPMG, em abril de 2012, em recomendação.

O projeto para permissão desse tipo de capina voltou a entrar na pauta de votação da Câmara Municipal, em junho. O projeto foi rejeitado por unanimidade pelos 13 vereadores presentes. Até mesmo Adilson Quadros (PSDB), que propôs o projeto de lei, votou contra.

Prós e contras

Quem defende a proibição ou a regularização, se baseia nas consequências da aplicação dos produtos químicos utilizados no processo. Segundo especialistas da área, o uso destes materiais podem causar dano à saúde, tanto de animais quanto de humanos — além do dano ao ecossistema e sua vegetação. Outro problema grave que pode ocorrer pelo uso de químicos é a contaminação lagos e rios.

Outro ponto negativo ocorre durante a época de chuvas. Durante o período chuvoso, quando o mato tende a cresce mais, o agrotóxico poderia escorrer e se acumular em locais causando grande concentração, danosa a saúde humana.

Por outro lado, os divinopolitanos têm visto matos crescerem nas calçadas e, em casos mais graves, cobrindo total ou parcialmente, os passeios e os lotes vagos. Há diversos problemas gerados pela alta vegetação, entre eles a ocorrência de incêndios, sejam eles criminoso ou não. Além disso, os moradores ficam preocupados, pois, com o mato alto e a visibilidade prejudicada, animais peçonhentos podem estar escondidos na região e, eventualmente, picar algum morador.

Outro problema causado pelo crescimento descontrolado de mata em lotes abandonados ou similares é a falta de bom senso por parte de alguns cidadãos. Acabam transformado o local em um verdadeiro lixão, e descartando ilegalmente sacos de lixo e outros materiais, como ferro e pneus. Para quem trabalha em locomotivas, como os maquinistas, há também a reclamação da dificuldade para visualizar o trajeto.

Um dos problemas em Divinópolis para solucionar esta questão é a falta de recursos humanos para controlar o crescimento natural do mato. Divinópolis possuiu uma extensa área territorial com quase 300 bairros. Seria necessário um quadro de funcionários bem maior do que o atual para realizar a capina manual, capaz de acompanhar o ritmo de crescimento do mato.  

Prefeitura

Ao Agora, a Prefeitura afirmou seu compromisso em buscar a liberação para realizar a capina química na cidade, como forma de atender os locais necessitados do serviço mais rapidamente.

— A Prefeitura mantém, de forma permanente, equipes que trabalham nos serviços de capina das vias públicas. Porém, ainda busca mecanismos para tentar reverter à decisão jurídica que impede o Município de fazer a capina química. Tal procedimento, liberado em outros municípios e até mesmo em Divinópolis na extensão de domínio da VL, garante agilidade ao processo, uma vez que a capina manual, principalmente em vias de calçamento, é demorada e pouco eficiente — enfatiza o Município.

Anvisa

Para equilibrar a necessidade de fazer o controle para evitar problemas prejudiciais, como incêndios, e a necessária preocupação ambiental, algumas cidade têm adotado regras mais rígidas para o uso de produtos químicos. Seguindo as recomendações Anvisa, as composições tóxicas não ficam proibidas em áreas urbanas, mas devem seguir regiões demarcadas. Ou seja, é preciso aplicar o produto apenas em locais que não prejudiquem a natureza e sejam permitidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

— A Anvisa entende que não existe proibição para capina química em ambientes não agrícolas em áreas interseccionais ou contidos em ambientes urbanos desde que sejam ambientes de acesso restrito e controlado, com facilidade de isolamento quando da aplicação do produto e sob a condição de que os produtos estejam registrados perante o órgão competente — estabelece a nota técnica.

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