Prefeitura de Divinópolis irá à Justiça para garantir repasses do Estado

Gisele Souto
A Prefeitura de Divinópolis vai ingressar com uma ação judicial contra o Governo de Minas, na tentativa de se garantir o repasse imediato para duas pastas fundamentais nos âmbitos municipal, estadual e federal: a Saúde e a Educação. O débito vem comprometendo a disponibilização de serviços essenciais à população.
A Secretaria Municipal da Fazenda elaborou um relatório com a dívida atualizada do Governo de Minas com Divinópolis. De acordo com os dados apurados, o governo mineiro deixou de repassar R$ 65,9 milhões até o momento. O maior percentual é referente à Saúde.
O relatório aponta que, somente nessa área, a dívida gira em torno de R$ 62,1 milhões. Apenas ao Município, o Estado deixou de passar R$ 54,4 milhões. O montante devido à média e alta complexidade do Fundo Municipal de Saúde (FMS) chega a R$ 23,1 milhões. E não para por aí. O dinheiro que não veio para construção do Hospital Regional, que está com as obras paradas há cerca de dois, está na casa de R$ 15,9 milhões. Com a Atenção Básica, a dívida é de R$ 11 milhões.
Mais dívidas
O relatório da Fazenda também revelou dívida com hospitais particulares, uma casa de apoio e associações que soma R$ 7,7 milhões.
Outros repasses devidos incluem também a educação. O mais prejudicado é Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb). Além disso, há atrasos com o Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) e já somam R$ 3,2 milhões. Tem ainda o piso mineiro assistencial, que totaliza R$ 434 mil; e transporte escolar, mais R$ 95,5 mil.
Dificuldades
E os atrasos não são de hoje. A UPA Padre Roberto, por exemplo, não recebe o repasse mensal há quase dois anos. O último repasse foi feito em outubro de 2016.
A novidade agora é o aumento gradativo da dívida referente ao repasse de recursos do Fundeb e transporte escolar. A dívida é de R$ 1,36 bilhão para diversos municípios mineiros.
No caso específico de Divinópolis, os valores chegam a R$ 4.705.907,67 do Fundeb e R$ 127 mil (quatro parcelas) do transporte escolar. Somam-se a esse montante as 16 parcelas da Assistência Social, ao valor de R$ 434.720,00. Segundo a Fazenda Municipal, o resultado é o comprometimento das contas municipais, já que a Prefeitura cumpre “rigorosamente” sua parte na distribuição tripartite dos custos da Educação, mas se vê forçada a lançar mão de recursos próprios para cobrir o rombo provocado pelo Estado, principalmente com o pagamento de salários de servidores que recebem por meio do fundo.
O secretário municipal de Saúde, Amarildo Sousa, diz que os atrasos prejudicam muito a assistência básica.
— Faltam recursos para comprar medicamentos e até o teste do pezinho fica comprometido. Os valores em atraso deixam os divinopolitanos sem acesso a alguns atendimentos básicos. Sempre estamos cobrando o Estado, mas nunca temos respostas positivas — acrescentou.
Ação
Como a situação chegou ao extremo, a Prefeitura ingressará nos próximos dias com uma ação judicial na tentativa de garantir o imediato repasse dos recursos do Fundeb, sob risco de paralisação de serviços.
Sobre a possibilidade de escalonamento do salário dos educadores por causa da falta do repasse, a assessoria de comunicação da Prefeitura informou que, pelo menos por enquanto, não há esta possibilidade. Disse também que desconhece os rumores de greve, caso o pagamento passe a ser feito desta forma.
Outro lado
Por meio de nota, o Estado destaca que o governo atual encontrou uma situação de déficit de quase R$ 8 bilhões deixada pelos gestores passados. Apesar disso, de acordo com a nota, o Estado tem trabalhado com afinco para equilibrar a situação financeira e regularizar os repasses.
— Porém, é importante frisar que o esforço é solitário, já que o governo federal tem prejudicado o Estado, sistematicamente, ao, por exemplo, reduzir os repasses em cerca de R$ 473 milhões, entre 2016 e 2017, e colocar em prática o congelamento dos gastos sociais através de Emenda Constitucional — afirma.
Porém, o Estado não deu nenhuma previsão de repasse de pelo menos parte dos valores devidos ao Município. Diz que os valores são repassados mediante disponibilidade financeira.
Leia também
Projeto social pode acabar por falta de assinatura de secretário
Prefeitura e MP firmam acordo para controle de cães e gatos
Justiça acata denúncia contra Demetrius Arantes
Vereadores de Divinópolis acusam Estado de ameaça e superfaturamento
Prefeitura de Divinópolis se compromete a não recorrer à eutanásia no controle da população animal
Jaiminho defende aplicativos de projetos de iniciativa popular
Mais recentes
Do nosso arquivo
Homem que quebrou relógio no 8/1 é preso novamente dois dias após ser solto
Bolsonaro passa por bateria de exames em Brasília após crises de mal-estar em Goiás
Bolsonaro passa mal, deixa evento às pressas e cancela compromissos em Goiás
Comissão de Direitos Humanos da Câmara oferece apoio jurídico e social a população vulnerável
Veja tudo o que publicamos em junho de 2018
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…




