Prevaleceu o bom senso

Com algum atraso e muita reclamação de alguns dirigentes, a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) enfim definiu o calendário do futebol feminino para este ano. A principal novidade é a criação da Copa do Brasil, que neste primeiro momento terá a participação de todas as equipes envolvidas nas três divisões do campeonato nacional principal, dando chances a que times de todas as regiões do país possam enfim sonhar com algo maior.
Bom senso
No tema mais delicado discutido na reunião da última sexta-feira sem dúvida foi uma possível ‘virada de mesa’, com os times que caíram no ano passado sendo beneficiados com o aumento de time na série A1, a divisão principal. A decisão beneficiaria principalmente Atlético e Santos, que foram rebaixados juntamente com o Botafogo e o Avaí/Kindermann em 2024. Mas aí prevaleceu o bom senso – depois da oposição de muitos times – e o regulamento acabou sendo cumprido, com o aumento de participantes ficando para os próximos anos, de forma gradativa, e estipulada em regulamento, sem virada de mesa.
Como fica
Desta forma, o Brasileiro Feminino A1 continua com apenas 16 times este ano, aumentando para 18 em 2026 e, enfim, 20 clubes, em 2027. Para este ano, a maior mudança fica para o acesso e o rebaixamento. Na Série A1, apenas os dois últimos serão rebaixados em 2026 e 2027, com o acesso permanecendo o mesmo, com os quatro primeiros colocados da A2 subindo para a divisão principal.
Mineiro começa sem surpresas
Todo início de temporada no futebol – aqui pelas bandas de Minas Gerais não é diferente – a expectativa sempre fica se teremos algumas surpresas ou se ficará tudo na mesma, com os grandes (Atlético e Cruzeiro) já entrando como os maiores favoritos à final. E, ao que parece, será assim novamente, e nem mesmo o tropeço do Galo na estreia – empate com o Aymorés, jogando com garotos do Sub-20 – deixa o time alvinegro com algum risco de ficar fora das fases decisivas. Jogando apenas para o gasto, o Atlético deve se garantir numa das semifinais, se não como primeiro de seu grupo, mas pelo menos como o segundo melhor colocado, no geral, a não ser que novidades surjam nas próximas semanas. Mas pelo futebol apresentado pelos times na rodada de abertura do estadual, nada de novo deve acontecer este ano.
Poucos gols
E isto é até fácil de se concluir, analisando apenas os números da primeira rodada, onde nenhum time sobrou e os placares dos jogos deixam isto bem claro, com apenas um jogo – empate em 2 a 2 entre Uberlândia e América - tendo mais de um gol marcado. Foram quatro jogos terminando em 1 a 0 e um empate sem gols, mostrando equilíbrio entre os times e ninguém sobrando neste início de ano.
Certo é que ainda seja cedo para se cravar o futuro, mas pelo que a rodada do fim de semana mostrou, a história deste ano terá o mesmo enredo de temporadas anteriores, com Cruzeiro e Atlético se garantindo sem grandes esforços nas semifinais.
Raposa foi bem
Para um time que entrou em campo dois dias seguidos, e no segundo duelo apenas doze horas de desembarcar no Brasil – vindo dos Estados Unidos – pode-se dizer que o Cruzeiro foi sim o destaque da primeira rodada, com o triunfo de 1 a 0 sobre o Tombense sendo uma goleada pelas circunstâncias do jogo. Agora, o negócio é aguardar os próximos jogos para saber qual é mesmo a deste time do Diniz, mas pelo cartão de visitas nas primeiras partidas do ano, a esperança da China Azul é sim de grandes coisas nesta temporada.
Muita violência, pouco futebol?
Da violência, sim. No clássico do sábado nos Estados Unidos, teve muitos jogadores do Galo e da Raposa encarando a partida como uma final, com alguns (principalmente o zagueiro Lyanco, do Atlético) jogando para a torcida, abusando das faltas e tentando intimidar os adversários, como se a violência fizesse ele jogar mais do que pode e sabe. Terreno perigoso que pode fazer com que se queime de vez. Passa a ser, a partir de agora, o mais visado, e qualquer falha que venha a cometer terá peso em dobro.
E desta verdade ninguém foge no futebol. É só esperar os próximos jogos e ele sentirá o peso de suas ações.
Já pelo espetáculo, o clássico não mostrou lá grandes coisas, com a Raposa jogando um pouco melhor, mas ainda bem abaixo do que se espera deste time.
José Carlos de Oliveira
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