Carregando clima…
Política

Público comparece em massa na Câmara contra linguagem neutra

Por Portal Agora
Público comparece em massa na Câmara contra linguagem neutra

Bruno Bueno

Foi aprovado, na tarde de ontem, por 14 votos a um, o projeto de lei CM-118/2021, do vereador Eduardo Azevedo (PSC), que proíbe o ensino da linguagem neutra nas escolas de Divinópolis. Apenas a vereadora Lohanna França (CDN) votou contra a pauta. Rodrigo Kaboja (PSD) não compareceu. Eduardo Print Júnior (PSDB), por ser presidente da Casa, não vota. 

O destaque, no entanto, ficou para o grande público que compareceu ao plenário para acompanhar a votação. Conforme a assessoria de comunicação da Câmara, cerca de 150 pessoas participaram da reunião. Foi, de longe, o maior público do ano na Casa Legislativa. 

A reportagem acompanhou todo o andamento da reunião. A maioria dos presentes era a favor do projeto de Eduardo. No entanto, também havia pessoas que compareceram para demonstrar indignação com a pauta proposta.

Esquentou

Pacífica no começo, a Reunião Ordinária esquentou quando o vereador Eduardo Azevedo (PSC) começou seu pronunciamento. Sob gritos favoráveis, o parlamentar defendeu seu projeto e foi ovacionado por seus apoiadores.

Lohanna França (CDN) falou logo em seguida. Mesmo recebendo suporte dos manifestantes contrários ao projeto, a vereadora recebeu vaias e teve que interromper seu pronunciamento por alguns instantes. Ela voltou a se posicionar contra o projeto, alegando que o Conselho e a Secretaria Municipal de Educação não emitiram parecer favorável à pauta.

— Pede pra sair! Vai embora, comunista! Senta no seu lugar — diziam os manifestantes favoráveis ao projeto.

Eduardo Azevedo

Depois da aprovação do projeto, o Agora conversou com o vereador autor da proposta, Eduardo Azevedo (PSC). O parlamentar comemorou o resultado favorável e agradeceu seus apoiadores.

— Eu vejo o anseio do povo de Divinópolis, juntamente dos vereadores, para se levantar contra tudo aquilo que vem ferir a família e as crianças. Eu fico muito feliz, gostaria de agradecer a todos os meus amigos parlamentares que votaram a favor, porque eles sensibilizaram contra essa linguagem neutra que já está sendo implantada em Divinópolis, que vem para implementar, de forma bem discreta, a ideologia de gênero na cidade — disse.

Ele também explicou que o apoio recebido na reunião de hoje fez a diferença pela aprovação do projeto.

— A militância começou a convocar os apoiadores para fazer pressão, então nós convocamos nas redes sociais clamando pela população e ela respondeu em peso. Convoco a população para que compareça às próximas reuniões. O apoio que eu recebi fez a diferença — alegou.

Lohanna França

A reportagem também conversou, ao fim da votação, com a vereadora Lohanna França (CDN), a única edil que votou contra o projeto. À reportagem, ela apresentou suas justificativas.

— Como presidente da comissão de Educação eu entendo que eu preciso conversar com quem está na ponta, que são os professores, representados pelo Conselho Municipal de Educação (CME). O meu parecer contrário vem a partir de um posicionamento desfavorável do CME. É importante que as pessoas saibam que esse projeto é inconstitucional — ressaltou.

Ela voltou a dizer que o projeto é inconstitucional e disse que Eduardo Azevedo mentiu durante seu pronunciamento.

— Legislar é muito sério. Nós estamos submetidos a leis que são maiores que essa Casa. Eu entendo que o projeto aprovado é flagrantemente inconstitucional. O vereador autor não disse a verdade quando afirmou que o parecer da Comissão de Justiça era favorável  — enfatizou.

Lohanna deu detalhes sobre os próximos passos que vai tomar. Segundo ela, a Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg), que foi atacada por manifestantes durante a reunião de ontem, vai judicializar a ação.

— Eu ainda estou com os pensamentos a mil. A gente tem que refletir pelo melhor caminho. Eu ouvi dizer que a Uemg vai judicializar a situação. O projeto está legislando sobre o ensino superior e isso não é competência nossa. Isso é um contrasenso. (...) Eu decidirei com meu gabinete, quando a poeira baixar, qual o caminho mais sensato para tomar a favor dos professores e da educação — afirmou.

Votação

Em suas justificativas de voto, os vereadores que aprovaram o projeto alegaram ser apoiadores da família. Diego Espino (PSL), que assinou o parecer contrário de Lohanna, disse que fez isso somente para que a pauta fosse apreciada.

O líder do governo, Edsom Sousa (CDN), em seu primeiro pronunciamento, disse que o projeto não tinha parecer favorável da Secretaria de Educação. Ele também foi alvo de vaias. No entanto, na discussão do projeto, ele disse que votaria a favor. 

Após a divulgação do resultado, o grito de comemoração ecoou na Câmara Municipal. Ao fim da reunião, Eduardo Azevedo foi ovacionado e tirou fotos com apoiadores. Um princípio de discussão entre os dois movimentos cessou rapidamente.

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…