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Saúde

Remédios devem ficar mais caros a partir de abril

Por Bruno
Remédios devem ficar mais caros a partir de abril

Jorge Guimarães 

O mês de abril começa com uma notícia pouco animadora para os consumidores brasileiros, especialmente para aqueles que dependem do uso contínuo de medicamentos. A partir do dia 1º, passa a valer a autorização para o reajuste nos preços dos remédios em todo o país, com aumentos que podem ir de 1,13% até 3,81%, conforme definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (Cmed).

Reajuste

Esse reajuste faz parte de um processo anual previsto na legislação que regula o mercado farmacêutico no Brasil. A medida tem como objetivo equilibrar os custos da indústria, levando em consideração fatores como inflação, produtividade e concorrência. Ainda assim, o impacto é sentido diretamente no bolso do consumidor, que muitas vezes já enfrenta dificuldades para manter tratamentos de saúde.

Vale destacar que nem todos os medicamentos seguem essa regra. Produtos fitoterápicos, aqueles que não exigem prescrição médica e que possuem alta concorrência no mercado, além dos medicamentos homeopáticos, não estão sujeitos a esse reajuste anual.

Divinópolis

Em Divinópolis, onde a concentração de farmácias na região central chama atenção, o consumidor pode encontrar uma forma de amenizar o impacto do reajuste nos preços dos medicamentos: a pesquisa.

Segundo funcionários dos próprios estabelecimentos, comparar valores entre diferentes farmácias é uma estratégia essencial para economizar. Isso porque, apesar da autorização para o aumento, nem todos os locais aplicam o reajuste imediatamente. Cada empresa segue seu próprio ritmo, de acordo com fatores como reposição de estoque e estratégias comerciais.

De acordo com a avaliação de Hyago Saldanha, gerente de uma farmácia no Centro, a forte concorrência entre os estabelecimentos acaba influenciando diretamente esse cenário. Em alguns casos, o aumento pode levar alguns dias para ser repassado ao consumidor final, justamente para manter a competitividade e atrair clientes.

Diante disso, o momento exige atenção e planejamento por parte da população. 

— Circular entre diferentes farmácias, aproveitar promoções e até consultar aplicativos de comparação de preços podem fazer a diferença no orçamento, especialmente para quem depende de medicamentos de uso contínuo — enfatizou o gerente. 

Concorrência 

Em meio aos eminentes reajustes, consumidores de Divinópolis já demonstram insatisfação, mas também reforçam a importância de pesquisar antes de comprar. A percepção geral é clara: ninguém gosta de pagar mais caro, especialmente quando se trata de itens essenciais para a saúde.

— É complicado, né? A gente já gasta bastante com remédio, aí vem aumento, e pesa no orçamento. Por isso, eu sempre olho em mais de uma farmácia antes de decidir, e já vou tratar de fazer meu estoque antes que abril chegue — contou Maria Auxiliadora Oliveira, dona de casa, que faz uso contínuo de medicamentos.

Outro morador destacou que a concorrência pode ser uma aliada nesse momento. 

— Aqui no Centro tem farmácia demais, então dá pra pesquisar bem. Às vezes, a diferença de preço de um lugar pro outro compensa a caminhada — afirmou.

Estratégias 

Há também quem já tenha adotado estratégias para driblar os aumentos. 

— Eu costumo aproveitar promoções e, quando dá, compro mais de uma caixa antes dos reajustes chegarem. Mas nem sempre a gente consegue se planejar — relatou outro consumidor.

A aposentada Rosa Maria da Costa vai comprar os medicamentos bem mais cedo, para renovar o estoque que toma diariamente.

— A partir de hoje, já pego o telefone e vou ligando para várias farmácias para confrontar os preços. Mas já tem algumas que eu compro mensalmente e eles entregam aqui em casa, pois não posso sair sozinha e, às vezes, não tenho companhia. Ainda bem que sempre pego alguns na farmacinha, o que me ajuda muito, mas, mesmo assim, meu gasto é alto — pontuou a aposentada.

Apesar das reclamações, muitos reconhecem que, em um mercado de livre concorrência, a pesquisa é a principal ferramenta para economizar. 

— Ninguém gosta de aumento, isso é fato. Mas se a gente não correr atrás dos melhores preços, acaba pagando mais caro sem necessidade — resumiu o também aposentado Juvêncio Quadros, morador do bairro Bom Pastor.

Impacto

O reajuste nos preços dos medicamentos deve ter impacto direto no orçamento das famílias, especialmente entre aqueles que dependem de tratamentos contínuos. Para o economista Lazaro Ribeiro, a preocupação é ainda maior quando se trata de medicamentos controlados, que não podem ser facilmente substituídos ou interrompidos.

Segundo ele, esse tipo de despesa costuma ser fixa e prioritária dentro do planejamento financeiro das famílias. 

— O aumento deve ser sentido no orçamento familiar de muitos brasileiros, principalmente por aqueles que utilizam medicamentos controlados. Diferente de outros gastos, esse não pode ser adiado ou cortado — avaliou.

Ribeiro destaca ainda que, em muitos casos, o impacto é mais significativo entre as famílias de menor renda, que já destinam uma parcela considerável do orçamento à saúde. 

— Qualquer reajuste, mesmo que pareça pequeno, acaba acumulando ao longo dos meses e pressionando ainda mais as finanças domésticas —  explicou.

Diante desse cenário, o economista reforça a importância de organização financeira e pesquisa de preços como formas de amenizar os efeitos do aumento. Ainda assim, ele ressalta que, para quem depende desses medicamentos, a margem de adaptação é limitada, tornando o reajuste um fator de preocupação real no dia a dia.

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