Sem tempo para erros

Demorou, mas veio! O tão esperado anúncio do ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), colocou fim às especulações e expectativas em torno das mudanças na economia do país. Esperado desde o início do mês, o pacote de cortes de gastos prometido pelo governo federal provou que o Executivo perdeu o timing do anúncio, e que o Brasil não pode se dar ao luxo de esperar mais.
O ajuste fiscal, por mais desgastante politicamente que fosse e exigisse negociação, não era mais possível postergar essas decisões difíceis, pois elas estavam aumentando o preço a ser pago, tanto em termos econômicos quanto sociais. A sensação que se tem à primeira vista, olhando de fora, é que o que precisava ser feito foi. Porém, por aqui, no país do amadorismo, piada pronta, tudo fica muito lindo na rede social, no imaginário, no discurso. Saiu dali, não sobra muita coisa. E, como todos sabem muito bem, de anúncio em anúncio, de palavra em palavra, o Brasil é construído. Com pouca ação, e quase nada de mudança. É de promessa em promessa.
A hesitação, a demora em anunciar o pacote de corte de gastos mostra um erro considerável com repercussões significativas na economia. O véu de incerteza que impacta negativamente os índices macroeconômicos e aumenta os desafios para o crescimento sustentável foi colocado com a demora do ministro da Fazenda em comunicar as mudanças que seriam feitas. A verdade é que não há mais tempo para amadorismo, e muito menos para erros.
O ano se aproxima do fim e as eleições de 2026 estão logo ali. A economia agoniza mais uma vez, e o país não tem mais como esperar negociações sem fim, na tentativa de não trazer desgaste. O real bate à porta e é preciso encará-lo, doa a quem doer. Um preço está sendo pago todos os dias. O tempo de agir chegou. E, apesar da desconfiança de que o governo federal conseguirá o equilíbrio das contas públicas, algo precisava ser feito com urgência. Apesar de a economia brasileira ter crescido 1,4% no segundo trimestre em relação ao trimestre anterior, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação segue alta, o que acaba diminuindo o poder de compra das famílias brasileiras.
Não há mais tempo para erros, espera e amadorismo. É tempo de ação. As promessas não têm mais lugar. É mais do que urgente fazer com que este pacote de gastos e de mudanças reflita na população e traga segurança para o povo e para o mercado financeiro. Afinal, uma das maiores vilãs do povo brasileiro, a inflação, apresenta sinais de resistência em recuar e é uma das principais vítimas dessa indefinição. Definitivamente não dá mais para aceitar os discursos bonitos de televisão e de redes sociais. O tempo é de fazer com que as promessas saiam do papel e venham para a realidade da população. É preciso que algo funcione, e mostre um movimento rumo às melhorias, pois o que não dá é para esperar mais e viver de promessa em promessa.
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