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Saúde

Sorotipo 3 da dengue volta a circular no Brasil após 17 anos

Sorotipo 3 da dengue volta a circular no Brasil após 17 anos

Da Redação

O sorotipo 3 da dengue registrou aumento em meio a testes positivos para a doença no Brasil – sobretudo nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Amapá e Paraná. A ampliação foi registrada principalmente nas últimas quatro semanas de dezembro. O cenário preocupa autoridades sanitárias brasileiras, já que o vírus não circula de forma predominante no país desde 2008 e, consequentemente, grande parte da população está suscetível.

Dados do Ministério da Saúde mostram que, ao longo de todo o ano de 2024, o sorotipo da dengue que circulou de forma predominante no Brasil foi o 1, identificado em 73,4% das amostras que testaram positivo para a doença.

Governo de Minas Gerais

Para ajudar no combate à dengue, zika e chikungunya, o Governo de Minas começou o investimento em drones. Os equipamentos estão sendo utilizados para mapear e tratar os locais com acúmulo de água parada que possam se tornar criadouros do Aedes aegypti e, dessa forma, auxiliar na redução do número de casos das doenças transmitidas pelo mosquito.

A estratégia é fruto da política Vigidrones, criada pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES-MG), que está sendo implementada nas 28 Unidades Regionais de Saúde (URS) de forma gradual, para otimizar o trabalho dos Agentes Comunitários de Endemias (ACE) dos municípios.

Os drones permitem a identificação de áreas de difícil acesso, como caixas d’água e piscinas descobertas, e possibilitam a aplicação precisa de larvicidas.

Segundo o subsecretário de Vigilância em Saúde da SES-MG, Eduardo Prosdocimi, os resultados iniciais são promissores.

— Observamos uma significativa eliminação de focos de água parada e do vetor nos municípios que iniciaram o mapeamento”, destaca, ressaltando a relevância da tecnologia. “Minas está liderando o uso de recursos avançados para prevenir epidemias de dengue e gerenciar emergências de saúde pública — explica.

Em 2024, 394 cidades foram atendidas, com 45 mil hectares mapeados e a identificação de mais de 100 mil potenciais criadouros. Estima-se que 20% a 25% dos focos não são detectados pelos ACE, reforçando a importância do uso da tecnologia.

Os dados coletados são armazenados em um sistema georreferenciado, permitindo aos ACE e profissionais de saúde a criação de mapas de calor que identificam áreas críticas. A SES-MG também promove capacitações para garantir a utilização eficiente da tecnologia. Além disso, um painel de monitoramento será lançado em breve, fornecendo um balanço detalhado dos resultados.

Divinópolis

Diversas medidas preventivas já estão em prática para combater a proliferação do mosquito Aedes aegypti, principal transmissor da dengue, zika e chikungunya. Essas ações se tornam ainda mais importantes durante o período chuvoso, quando as condições climáticas favorecem a reprodução do inseto e o aumento dos criadouros.

A Prefeitura de Divinópolis intensifica os esforços nessa época do ano, promovendo mutirões de limpeza nos bairros com maior número de notificações de casos de dengue. Ações visam eliminar focos de água parada, principal local de reprodução do mosquito. Além disso, a Vigilância em Saúde Ambiental reforça o uso do “carro fumacê”, importante para reduzir a população de mosquitos adultos e, assim, interromper o ciclo de transmissão.

Os números de casos de dengue no município mostram a gravidade da situação. Entre 2021 e 2022, o número de casos de dengue no município aumentou para 206. Em 2023, esse número registrou um salto significativo, alcançando 8.261 casos. Já em 2024, apesar de uma redução em relação ao ano anterior, os casos permaneceram elevados, totalizando 6.323 notificações.

Último LIRAa 2024

Dados do quarto Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (LIRAa) de 2024, realizado no período de 28 a 31 de outubro, revelou que o índice de infestação médio do município resultou em 3,9%, que significa “médio risco de epidemia”, segundo parâmetro técnico do Ministério da Saúde. A pesquisa foi feita em 169 bairros, com 5.939 imóveis vistoriados.

O 4º LIRAa demonstrou que 89% dos focos foram encontrados em residências e 11% em lotes vagos. Dos reservatórios predominantes, 38,7% dos focos estavam em recipientes passíveis de remoção (plásticos, latas, garrafas e pneus); 38% em depósitos móveis (bebedouros de animais, pratos e vasos de plantas); 11,6% em locais de armazenamento de água para consumo humano (caixa d’água, tanques, poços, tambores e manilhas); 11,3% em depósitos fixos (ralos, caixa de passagem, sanitários em desuso e fonte ornamentais) e 0,4% em depósitos naturais (bromélias e ocos de árvores).

Prevenção

No período chuvoso, é essencial que a população intensifique as vistorias em seus quintais, realizando inspeções no mínimo uma vez por semana. Para evitar a proliferação do Aedes aegypti, é importante recolher recipientes que possam acumular água e descartá-los adequadamente, eliminar água armazenada em objetos como baldes, pneus e garrafas, retirar os pratos dos vasos de plantas ou preenchê-los com areia, além de armazenar pneus e garrafas em locais cobertos e protegidos da chuva.

Em caso de sintomas da dengue, como febre alta, dores no corpo, manchas na pele e mal-estar, é fundamental procurar atendimento médico imediatamente.

Para 2025

A secretária de Vigilância em Saúde e Ambiente do Governo Federal, Ethel Maciel, afirmou que ainda não se sabe como o sorotipo 3 vai se espalhar, mas reforça medidas de prevenção.

— A gente continua com o efeito do El Niño e, portanto, com altas temperaturas e com esses extremos de temperatura. Também temos o problema da seca, que faz com que as pessoas armazenem água, muitas vezes, em locais inadequados. E isso também faz com que a proliferação de mosquitos possa acontecer — afirmou.

Segundo ela, nas últimas quatro semanas de 2024, 84% dos casos de dengue se concentraram nos estados de São Paulo, do Espírito Santo, de Minas Gerais, do Paraná, de Goiás e de Santa Catarina.

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