Carregando clima…
Política

STF inicia votação que pode tornar Bolsonaro réu por tentativa de golpe

Por Redação Jornal Agora
STF inicia votação que pode tornar Bolsonaro réu por tentativa de golpe

Da Redação

O Supremo Tribunal Federal (STF) inicia hoje a votação para decidir se aceita ou não a denúncia contra o ex-presidente Bolsonaro (PL). Nesta fase, a Primeira Turma tem três sessões agendadas para decidir se arquiva ou torna réus os mencionados pela Procuradoria-Geral da República (PGR). O órgão aponta oito pessoas como responsáveis por integrar um grupo que articulou a tentativa de golpe de Estado após a derrota eleitoral em 2022.

  1. Jair Bolsonaro, ex-presidente;
  2. Alexandre Ramagem, ex-diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin);
  3. Almir Garnier Santos; ex-comandante da Marinha do Brasil;
  4. Anderson Torres; ex-ministro da Justiça;
  5. General Augusto Heleno; ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional da Presidência;
  6. Mauro Cid; ex-chefe da Ajudância de Ordens da Presidência;
  7. Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; 
  8. Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil.

São cinco crimes mencionados: golpe de Estado, abolição violenta do Estado Democrático de Direito, organização criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Reuniões

As duas primeiras reuniões acontecem hoje, às 9h30 e às 14h. Amanhã, os magistrados voltam a se encontrar às 9h30. 

Se for aceita, os denunciados se tornam réus e a ação penal é aberta. Caso rejeitada, é arquivada. 

Membros

Integram a Primeira Turma do STF: Cristiano Zanin, Carmen Lúcia, Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Luiz Fux.

Cristiano Zanin: Formado em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Advogado nomeado pelo presidente Lula (PT) ao STF em 2023.

Alexandre de Moraes: Formado em Direito pela Universidade de São Paulo (USP). Já foi promotor de Justiça em São Paulo, secretário de Justiça e de Segurança Pública do estado e ministro da Justiça e Segurança Pública. Nomeado ao STF em 2017 pelo presidente Michel Temer.

Cármen Lúcia: Formou em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-MG). Atuou como procuradora do Estado de Minas Gerais e professora universitária. Nomeada ao STF em 2006 pelo presidente Lula.

Flávio Dino: Formado em Direito pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA). Foi juiz federal, deputado federal, senador, governador do Maranhão e ministro da Justiça e Segurança Pública. Nomeado ao STF em 2024 pelo presidente Lula.

Luiz Fux: Formado em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Advogado, promotor de Justiça e juiz e desembargador no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Nomeado em 2011 pela presidente Dilma Rousseff (PT).

A composição é um dos principais questionamentos do senador Cleitinho (Republicanos-MG). 

— O Zanin e o Flávio Dino foram indicados pelo Lula. O Lula tem muito interesse nisso, né? — questionou em vídeo publicado há duas semanas. 

Para ele, há uma clara tentativa de impedir o ex-presidente de concorrer à Presidência no próximo ano. Atualmente, Bolsonaro está inelegível até 2030, por decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em razão dos ataques ao sistema eleitoral. 

— O Lula vai perder e querem tirar o Bolsonaro de qualquer jeito do jogo — afirma. 

O parlamentar também questiona a celeridade do processo entre a apresentação da denúncia, em fevereiro, e o início do julgamento, um mês depois. 

— No relâmpago, a PGR manda [a denúncia], o STF pega e já manda para julgamento. Isso é uma afronta. (...) O que estão fazendo com o Bolsonaro é uma perseguição — aponta. 

Defesa da democracia

Já para a deputada estadual Lohanna França (PV), o processo é importante para reafirmar a democracia brasileira. 

— O julgamento do ex-presidente Bolsonaro vem carregado de responsabilidade, numa perspectiva muito clara de defesa daquilo que o país tanto lutou para conquistar a partir de 88, que é o regime democrático em que todos nós vivemos — destaca.

Ressaltou, ainda, o direito à ampla defesa, independente de divergências ideológicas.  

— Importante dizer que se nós vivêssemos num estado ditatorial, como aquele que o ex-presidente defendeu tantas vezes, ele não estaria tendo direito a defesa, ele estaria dentro de uma cela, sendo torturado, com a sua família, sem saber onde ele estava — pontuou. 

Por fim, reafirmou sua confirmação na Justiça.

— Então a gente defende o devido processo legal para todos e todas, independente do gostar ou da opinião pessoal sobre cada um. Eu acredito na justiça e tenho certeza que ela vai ser a mais qualificada possível para que a gente entregue o resultado desse julgamento para a população e tenham condições de virar a página desses quatro anos sombrios que o país viveu — concluiu. 

PL

Presidente estadual do PL, o deputado Domingos Sávio aguarda Bolsonaro se tornar réu ou não para se manifestar oficialmente. 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em março de 2025

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…