SUS passa a oferecer medicamento que reduz em 50% a mortalidade por câncer de mama

Da Redação
O Ministério da Saúde (MS) recebeu o primeiro lote do medicamento trastuzumabe entansina, incorporado ao Sistema Único de Saúde (SUS) em 2022, para o tratamento do câncer de mama do tipo HER2-positivo, uma das formas mais agressivas da doença. O remédio é indicado para pacientes que ainda apresentam a doença após a quimioterapia inicial e representa um avanço no tratamento oncológico nacional. A entrega da primeira remessa ocorreu na segunda-feira, 13, no almoxarifado do Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
Nesta primeira etapa, o Ministério da Saúde recebeu 11.978 unidades do medicamento, sendo 6.206 de 100 mg e 5.772 de 160 mg. Ao todo, serão quatro lotes, com novas entregas previstas para dezembro de 2025, março e junho de 2026. Os insumos atenderão 100% da demanda atual do SUS, beneficiando cerca de 1.144 pacientes ainda neste ano.
O investimento total do governo federal é de R$ 159,3 milhões para a compra de 34,4 mil frascos-ampola, sendo metade de cada dosagem (100 mg e 160 mg). O Ministério negociou os valores com redução de cerca de 50% em relação ao preço de mercado, o que representa uma economia aproximada de R$ 165,8 milhões. O preço por frasco passou de R$7,2 mil para R$3,5 mil (100 mg) e de R$ 11,6 mil para R$ 5,6 mil (160 mg).
Redução de mortalidade
Segundo o diretor do Departamento de Atenção ao Câncer do Ministério da Saúde, José Barreto Campello Carvalheira, a chegada do medicamento é um avanço importante na oncologia nacional.
— Nas pacientes que ficam com restos tumorais, no câncer de mama, você pode colocar (esse medicamento) agora à disposição para fazer um novo tratamento — afirmou.
De acordo com José Barreto, ele garante 50% de redução de mortalidade e 50% menos recidiva local, que é o retorno do câncer no mesmo local onde ele começou originalmente.
— É realmente um grande avanço, é diminuição de mortalidade — concluiu.
A oncologista Lorena de Oliveira Gontijo reforça a relevância do medicamento no SUS. Segundo ela, o medicamento representa um avanço significativo no tratamento do câncer de mama HER2-positivo.
— O medicamento é indicado para mulheres que ainda apresentam sinais da doença após a quimioterapia inicial. Segundo os estudos, ele pode reduzir em até 50% a chance de recidiva da doença, oferecendo uma nova esperança e melhorando significativamente o prognóstico para essas pacientes — afirmou.
A especialista também ressalta que o acesso ao medicamento no SUS é crucial, pois garante que um maior número de mulheres tenha direito a uma terapia de alta tecnologia, que antes seria inacessível devido ao custo elevado.
O medicamento será distribuído às secretarias estaduais de saúde, responsáveis pela dispensação conforme os protocolos clínicos vigentes. A expectativa é de que as pacientes comecem a receber o tratamento ainda em outubro ou no início de novembro.
Expansão do acesso a terapias
Além do trastuzumabe entansina, o Ministério da Saúde também avança na oferta de inibidores de ciclinas (bemaciclibe, palbociclibe e ribociclibe) indicados para o tratamento de câncer de mama avançado ou metastático com receptor hormonal positivo e HER2-negativo.
A pasta anunciou que, ainda neste mês, será publicada a portaria que autoriza a compra descentralizada desses medicamentos, por meio da Autorização de Procedimento de Alta Complexidade (APAC). O modelo permitirá que estados e municípios façam a aquisição direta dos remédios, com financiamento federal, agilizando a entrega e o início dos tratamentos.
Outubro Rosa
O lançamento do novo medicamento ocorre no mês do Outubro Rosa, campanha que reforça a importância do diagnóstico precoce e do tratamento adequado do câncer de mama.
— É uma grande vitória do povo brasileiro. O Ministério da Saúde fica orgulhoso de poder estar fazendo essa entrega hoje dentro do Outubro Rosa — afirmou José Barreto.
O Instituto Nacional de Câncer (Inca) divulgou, também neste mês, a publicação Controle de câncer de mama no Brasil: dados e números 2025, com informações sobre incidência, mortalidade, prevenção e acesso ao tratamento. Segundo o instituto, o câncer de mama é o que mais mata mulheres no Brasil, com 73.610 novos casos estimados para 2025 e mais de 20 mil mortes registradas entre 2020 e 2023.
Lorena Gontijo reforça que, apesar dos avanços terapêuticos, a detecção precoce continua sendo a estratégia mais eficaz para reduzir a mortalidade.
— Além disso, é importante frisar a importância da detecção precoce, que continua sendo a estratégia mais eficaz para aumentar as chances de cura e reduzir a mortalidade por câncer de mama. Quando diagnosticado em estágios iniciais, as chances de cura podem chegar a 90% — reforçou.
O Ministério da Saúde tem reforçado as estratégias de prevenção e diagnóstico, incluindo a ampliação da faixa etária para realização da mamografia no SUS durante este mês.
O exame, antes oferecido apenas a mulheres de 50 a 69 anos, agora está disponível também para aquelas a partir dos 40 anos, mesmo sem sintomas da doença. A mudança busca garantir maior acesso ao rastreamento e ao diagnóstico precoce. Em 2024, as mamografias realizadas em mulheres com menos de 50 anos representaram 30% do total, ultrapassando 1 milhão de exames.
Outra iniciativa lançada pelo governo federal é o programa Agora Tem Especialistas, que leva 28 carretas equipadas a regiões com menor oferta de serviços especializados. A ação tem foco na saúde da mulher, priorizando a prevenção e o diagnóstico precoce do câncer de mama e de colo do útero.
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