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Saúde

Dia da Fisioterapia: do caráter reabilitador ao movimento integrado do Pilates

Dia da Fisioterapia: do caráter reabilitador ao movimento integrado do Pilates

Nesta semana, especificamente no dia 13 de outubro, celebramos o reconhecimento da Fisioterapia no Brasil. Desde essa conquista, a profissão ampliou suas áreas de atuação, deixando de ser vista apenas como prática reabilitadora, para se tornar uma ciência do movimento humano, presente em todas as esferas da saúde. 

Ao longo de sua trajetória, se firmou dentro dos hospitais principalmente com a fisioterapia respiratória e ganhou destaque na atenção primária e na saúde do trabalhador com enfoque para promoção de saúde. Nos últimos anos, a profissão também conquistou reconhecimento no esporte, tornando-se essencial para atletas profissionais e amadores que  buscam melhorar sua performance e reduzir risco de lesões. Além disso, a fisioterapia vem se fortalecendo cada vez mais na área da saúde da mulher e em práticas que valorizam o corpo em movimento.

Entre essas práticas, o pilates se destaca como uma abordagem muito completa para trabalhar o corpo como um todo. Seu princípio é simples e profundo: fortalecer o corpo, equilibrar a mente e educar as pessoas para uma vida mais autônoma e saudável — pilares  que dialogam com a essência da Fisioterapia.

O método  chegou no Brasil na década de 1990 e ao longo dos anos, desenvolveu-se em duas grandes vertentes: o Pilates Clássico e o Pilates Contemporâneo. O Clássico preserva fielmente os ensinamentos originais de Joseph Pilates com a descrição de um caminho a ser percorrido e uma sistematização dos movimentos que respeita as leis que regem o processo de maturação da coordenação motora e preza pelos os seis princípios: concentração, centralização, precisão, respiração, controle e fluidez. Já o Contemporâneo, integrou novos exercícios e acessórios como a bola, rolo e faixas elásticas e embora alguns profissionais sigam os princípios originais, essa vertente tende a trabalhar de forma mais fragmentada o método.  

É importante ressaltar que o Pilates Clínico não é uma modalidade do método. O que existe é o fisioterapeuta que atua clinicamente, aplicando o raciocínio clínico e fazendo as adaptações necessárias de acordo com cada indivíduo e contexto. O atendimento clínico pode acontecer em qualquer lugar – em um estúdio de Pilates ou fora dele –  o diferencial não está no espaço, e sim na formação e na capacidade técnica do profissional.

Ambas as vertentes oferecem possibilidades clínicas, permitindo adaptações e progressões que devem ser seguras para cada paciente, seja em reabilitação ortopédica, neurológica, pré e pós-parto, ou melhora funcional. 

Seja no Mat (ou solo) ou em aparelhos como Reformer, Cadillac, Chair e Barrel, o fisioterapeuta ajusta os exercícios conforme o nível, a dor, as limitações e os objetivos do paciente. Com seu conhecimento em anatomia, fisiologia e biomecânica aliado ao raciocínio clínico, o profissional utiliza o  Pilates não apenas para condicionamento físico, mas também para reabilitar, prevenir lesões e promover saúde. É esse olhar técnico que transforma o método em uma poderosa ferramenta terapêutica.

Celebrar o Dia da Fisioterapia é reconhecer o caminho percorrido pela profissão. O fisioterapeuta de hoje é um profissional do movimento, capaz de integrar ciência e técnica, sem deixar de lado a empatia e sensibilidade. O Pilates simboliza esse novo olhar da Fisioterapia — o de um cuidado que se expressa no movimento, desperta consciência e promove saúde em sua totalidade.

Assim, celebrar a Fisioterapia é também celebrar o movimento — o gesto que reabilita, previne, transforma e dá sentido à nossa prática.

Patrícia Tavares-  CREFITO 4/ 88643F 

Doutora e mestre em Ciências da Saúde (UFSJ), professora universitária (UNA e Uemg) ministra curso de Pilates desde 2007, fisioterapeuta da Clínica Sports Center

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