Três em cada 10 crianças ainda não se vacinaram contra a pólio

Bruno Bueno
Pais e responsáveis têm até a próxima segunda para vacinar crianças entre um e cinco anos contra a poliomielite. Mais de 10 mil divinopolitanos estão aptos para receber o imunizante.
Até o momento, segundo a Secretaria Municipal de Saúde (Semusa), 74,76% das crianças foram imunizadas contra a poliomielite em Divinópolis. Isso significa que três em cada 10 crianças do público-alvo ainda não se vacinaram.
Locais
De acordo com informações da Semusa, a vacina está disponível em todas as unidades básicas de saúde do município. Os interessados devem procurar os postos durante o horário de 8h às 16h.
Cinco unidades também possuem horário de atendimento para vacinação durante o período noturno: Sagrada Família, Belvedere, Tietê, Planalto e Ermida. O horário, neste caso, é das 18h às 21h.
— Sendo esses os últimos dias previstos para a realização da campanha, é muito importante a conscientização dos pais e responsáveis para levarem as crianças para serem vacinadas — explicou a Semusa em nota.
Números
Os números atualizados ontem pela Semusa mostram que 7.840 doses de vacina já foram aplicadas na cidade. Isso corresponde a 74,76% da população de Divinópolis que pode ser vacinada.
— O objetivo é vacinar 95% de 10.487 crianças na faixa etária (1 a 4 anos) — explica a Semusa.
2.629 crianças de até um ano de idade podem ser vacinadas. Contudo, apenas 77% deste público foi imunizado. Foram vacinadas 1.925 crianças de 2 anos, o que corresponde a 73% do total. De um total de 2.641 crianças de 3 anos, 1.984 receberam a vacina contra a pólio (75,12%). Outras 1.899 crianças de 4 anos foram imunizadas, o que corresponde a 73,01% da cobertura.
Minas e Brasil
A campanha em âmbito estadual atinge números melhores. Dados da Secretaria de Estado de Saúde (SES/MG) mostram que 838.123 doses já foram aplicadas. Isso representa um montante de 80%.
Mais de 8,1 milhões de pessoas já se vacinaram em todo o país, de um total de 11 milhões de crianças. Os números correspondem a 70% do total.
Risco
De acordo com o coordenador da Central de Imunização, Tércio Leão, diante da baixa cobertura vacinal há risco da reintrodução do vírus da poliomielite no Brasil.
— Ainda que tenha sido erradicado, a pólio corre grave risco de ressurgir. O país foi classificado em alto risco para a reintrodução da doença em razão das baixas coberturas vacinais. Por isso, cabe aos pais e responsáveis das crianças, levá-las para a vacinação — relata.
Tércio classifica a vacinação como extremamente importante para evitar doenças.
— Uma vez que a vacina, além de direito, também é dever da população em casos como esse. É inaceitável que crianças sofram por doenças que são evitáveis por vacinas tão antigas como a da poliomielite — alerta.
O que é?
De acordo com a Organização Pan-Americana da Saúde, a poliomielite é uma doença altamente contagiosa causada pelo poliovírus selvagem. A grande maioria das infecções não produz sintomas, mas 5 em cada 100 pessoas infectadas com esse vírus podem apresentar sintomas semelhantes aos da gripe.
Em 1 de 200 casos, o vírus destrói partes do sistema nervoso, causando paralisia permanente nas pernas ou braços. Embora muito raro, o vírus pode atacar as partes do cérebro que ajudam a respirar, o que pode levar à morte.
Novo caso?
O último caso de infecção ocorreu em 1989, na cidade de Souza/PB. Um caso de paralisia em Santo Antônio do Tauá/PA, no início do mês, foi apontado como a volta da poliomielite no Brasil. Uma criança de três anos de idade foi infectada dois dias após receber a vacina contra a doença.
O rumor, no entanto, foi desmentido pelo Ministério da Saúde (MS).
— É importante ressaltar que não se trata de poliomielite, mas sim de um caso de Paralisia Flácida Aguda (PFA) suspeito de um evento adverso à vacina. Na caderneta de vacinação da criança não consta registro de vacina inativada poliomielite (VIP), que deve ser administrada anteriormente (...) — disse.
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